Multidão sai às ruas de Natal em defesa da Educação Geral

quarta-feira, 8 maio 2019
Evento em favor da ciência em Natal/RN (Foto José de Paiva Rebouças)

Manifestantes protestaram contra o corte de 30% das verbas das instituições de ensino e o contingenciamento de recursos da c&t e do MEC

(Por José de Paiva Rebouças, especial para Nossa Ciência)

Centenas de estudantes, professores e pesquisadores fecharam nesta quarta-feira, 8, o cruzamento da Avenida Salgado Filho com a Bernardo Vieira, em Natal(RN) em protesto contra os cortes do governo federal na Educação. O protesto que começou por volta das 16h e se estendeu até quase 19h, reuniu manifestantes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Instituto Federal de Ciência e Tecnologia (IFRN), Universidade do Estado do RN (UERN), Fundação de Apoio à Pesquisa do RN (Fapern), além de outras instituições e lideranças políticas.

A manifestação fez parte de uma série de atividades marcadas em parceria com a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e Academia Brasileira de Ciências (ABC) em diversas partes do Brasil. Mobilizações foram registradas também em São Paulo (SP), Niterói (RJ), Porto Alegre (RS) e Recife (PE). Em Brasília, a SBPC lançou a Iniciativa de Ciência e Tecnologia no Parlamento (ICTP.br), em articulação com outras entidades científicas e acadêmicas nacionais. Nessa terça-feira, 7, universidades, estudantes, servidores, pesquisadores e poder público criaram, em Belo Horizonte, uma Frente Parlamentar em Defesa da Ciência e C&T.

O contingenciamento de 42%, para 2019, nos recursos de investimentos do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação (MCTIC) e de 21% no Ministério da Educação e Cultura (MEC) agravaram a situação das Universidades, mas o corte linear de 30% do orçamento das universidades anunciada pelo ministro da educação, Abraham Weintraub, ameaça paralisar as instituições em todo o País. Com esta medida, a UFRN perde R$ 60 milhões de seu orçamento para este ano e pode ser obrigada a demitir 1.545 servidores terceirizados. A situação do IFRN não é diferente. O corte de R$ 41 milhões vai obrigar o Instituto a suspender bolsas e dificultar a compra de insumos para manter os laboratórios funcionando.

(Foto: José e Paiva Rebouças)

John Fontenele, professor da UFRN e representante da SBPC no RN, disse que é preciso que o governo federal mantenha os recursos e preserve o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), sem que seus recursos sejam utilizados para outros fins. “No ano passado, foi aprovada uma lei que garante uma participação inicial da iniciativa privada para financiamento da pesquisa no Brasil. Infelizmente, no final do mandato do governo Temer, ele vetou esta iniciativa. O que queremos agora é que o atual Congresso derrube este veto”, disse. John explicou ainda o motivo da manifestação desta quarta-feira, e destacou a importância das mobilizações em favor desta pauta.

O Pró-reitor de Pesquisa da UFRN, Jorge Falcão, enfatizou que as decisões do atual governo geram um risco de desconstrução do que foi conquistado ao longo de 20 anos na educação superior do Brasil. “A classe média precisa entender que o desenvolvimento da região está comprometido, porque somos uma região pobre. A pesquisa não se destina apenas a produzir artigo, mas produzir riqueza”, completou.

Natália Branco, estudante de mestrado no Instituto do Cérebro da UFRN, disse que deve muito aos vários investimentos na educação, desde as melhorias na infraestrutura da sala de aula durante a graduação, até o aparelhamento dos laboratórios e as bolsas que recebe para desenvolver sua pesquisa. Para ela, este corte de verbas na ciência vai comprometer qualquer possibilidade de futuro para quem almeja se tornar um cientista independente. “Com as mudanças, tenho medo de que seja preciso meus pais bancarem para que eu continue fazendo ciência para desenvolver o Brasil”, reforçou.

(Foto: José de Paiva Rebouças)

A preocupação com as últimas medidas do governo Bolsonaro não se resume apenas às instituições federais. Gilton Sampaio, presidente da Fapern e professor da UERN, lembra que as instituições e universidades estaduais também serão atingidas, uma vez que as bolsas para pós-graduação e o financiamento de pesquisa são destinados pelo governo federal. “É o desenvolvimento do Brasil que está correndo risco, é o projeto nacional de desenvolvimento que está em risco com os cortes realizados”.

Para a deputada estadual Isolda Dantas, presente na manifestação, se os cortes atingem as universidades do estado, afetam diretamente o desenvolvimento do RN, pois os filhos dos trabalhadores precisam desses espaços para ter educação de qualidade e transformarem suas vidas.

Durante o protesto, os estudantes ocuparam a rua dificultando o fluxo do trânsito. A Polícia ensaiou uma reação e ainda ameaçou chamar uma força especial para desobstruir a passagem dos carros. Isso gerou ainda mais agitação, fazendo com que uma multidão subisse pela Avenida Salgado Filho no sentido Sul, ampliando ainda mais a visibilidade da manifestação.

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José de Paiva Rebouças é jornalista

José de Paiva Rebouças

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