Prevenindo a entrada do coral sol em área de proteção potiguar Meio Ambiente

sexta-feira, 14 fevereiro 2020
Apesar da beleza do coral sol, ele é uma praga que está contaminando o litoral do Brasil.

Registro da espécie invasora no litoral do Ceará e Pernambuco acende sinal amarelo no Rio Grande do Norte

Em razão das recentes notícias de registro de uma espécie de coral exótico nocivo nos litorais de Pernambuco e Ceará, o órgão responsável pelo meio ambiente no Rio Grande do Norte (RN), o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente – Idema, iniciou uma série de vistorias aos naufrágios que estão na Área de Proteção Ambiental dos Recifes de Corais (Aparc). A ação teve como principal objetivo buscar possíveis registros da espécie Tubastraea spp, também conhecida como “Coral-Sol” em duas embarcações naufragadas há mais de 50 anos no interior da Aparc, que fica localizada nos municípios de Maxaranguape, Touros e Rio do Fogo, há 50 quilômetros de Natal.

O coral tem uma beleza peculiar, com cores fortes que variam do laranja ao amarelo. Quem mergulha e se depara com o coral-sol embaixo da água fica maravilhado com sua beleza, mas poucos sabem que ele é uma praga que está contaminando o litoral do Brasil.

Exótica e invasora

(Foto: Idema/Divulgação)

De acordo com a Convenção Sobre Diversidade Biológica (CDB), “espécie exótica” é toda espécie que se encontra fora de sua área de distribuição natural. “Espécie exótica invasora”, por sua vez, é definida como aquela espécie exótica cuja introdução e dispersão ameaça a biodiversidade, incluindo ecossistemas, habitats, comunidades e populações.

“O monitoramento precisa ser feito, sem dúvida. Essa espécie cresce muito rápido, sufoca outras espécies, é muito agressiva e eficiente na reprodução, o que acaba eliminando as espécies nativas através da competição, causando desequilíbrio em todo o ambiente. A APARC tem grande relevância do ponto de vista socioeconômico, mas, sobretudo, abarca uma biodiversidade sem igual”, explicou o supervisor do Núcleo de Gestão de Unidades de Conservação (NUC/Idema), Rafael Laia.

Segundo o técnico do NUC e mergulhador responsável pelo Monitoramento Ambiental da APARC, Tiego Costa, o coral-sol tem preferência de se instalar inicialmente em estruturas artificiais como naufrágios e plataformas de petróleo. “Por isso nosso foco está sendo nos naufrágios da APA Recifes de Corais. Além disso, existem cinco naufrágios na Unidade, os quais serão todos vistoriados. Inicialmente foram visitados os naufrágios mais próximos da costa, mas estamos planejando acessar outros mais distantes da costa, cerca de 26km”, disse.

Perigo na vizinhança

(Foto: Idema/Divulgação)

Os registros de coral-sol em águas brasileiras iniciaram no Sudeste, principalmente no Rio de Janeiro na década de 1980. De lá para cá, a espécie vem se espalhando pelo litoral, atingindo o nordeste mais recentemente, sendo registrado na Bahia em 2012, Ceará em 2016 e este ano em Pernambuco, quando foi registrada sua ocorrência em quatro naufrágios na costa de Recife. Além do RN, são poucos os estados brasileiros em que ainda não foi identificada a ocorrência do coral-sol. São eles Rio Grande do Sul, Alagoas, Paraíba, Piauí e Maranhão.

O coordenador do NUC, Rafael Laia, conclui: “Felizmente não identificamos nenhum coral-sol nestas primeiras vistorias. O registro desta espécie invasora nos estados vizinhos nos obriga a estarmos alertas. A partir de agora, o monitoramento ambiental que já ocorre na área de proteção, irá também manter rotina de procura pelo coral-sol. Caso identificado precocemente alguma colônia deste animal extremamente nocivo, teremos tempo e capacidade para controle e erradicação desta espécie em nossos parrachos”, concluiu.

O Idema pede apoio de toda a sociedade, especialmente profissionais do mergulho, turismo e pesquisadores, para notificarem este órgão em caso de visualização de agrupamentos do coral-sol. O contato pode ser feito através dos e-mails: aparecifesdecorais@gmail.com e nucidema@gmail.com

(Fonte: Idema)

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