A paixão nacional e a ciência Ciência Nordestina

terça-feira, 5 junho 2018

A exemplo do futebol, se queremos torcedores temos que dar a bola para os meninos jogarem! As crianças precisam se apossar da ciência, fazer reações químicas, experimentar...

A paixão do brasileiro pelo futebol aflora intensamente a cada copa do mundo. E de tão forte é capaz de apagar qualquer 7 a 1, crise, caos ou injustiça. As pessoas jogam todos os problemas para o alto e vestem a amarelinha para provar de um nacionalismo que renasce a cada quatro anos e acaba após a eliminação ou o título. A origem desta paixão remonta os tempos de infância e serve como argumento para diversas análises futebolísticas.

Em um passado recente, os campos de várzea eram abundantes em todos os cantos do país. De lá vieram os grandes craques, resgatados pelos chamados olheiros. Com a violência crescente nos centros urbanos e a expansão do ramo imobiliário, estes espaços passaram a ser escassos. Nossas crianças não jogam mais nas várzeas. Estão presas em casa em frente à TV e ao telefone celular. Esta é uma geração que tende a levar o sedentarismo marcado em seu DNA. E isso já tem reflexos nos grandes times de futebol – o Brasil já não dispõe de uma nova geração de grandes laterais, por exemplo. Desta breve análise, podemos associar o sucesso do futebol com a prática do esporte no país. Quanto mais adeptos, maior o número de candidatos a atletas de alto nível. Além disso, a democratização da prática do esporte tem, também, outro efeito muito importante. Ao jogar, as crianças passam a internalizar as regras do jogo. E mesmo que não venham a ser atletas, serão torcedores.

E deste processo, o imaginário coletivo é estabelecido e induz aos praticantes a posição de protagonista de seu futuro. Para a criança, ser craque é questão de treino, persistência e habilidade. Sucesso é sinônimo de dedicação. Perceba que a ferramenta que pode conduzir os jovens ao futuro de sonhos – um grande time europeu ou a seleção brasileira – está acessível a eles. E é uma bola de futebol, que pode ser de couro, plástico ou mesmo improvisada como uma bola de meias. O futuro cabe na palma da mão.

Enquanto isso, a ciência permanece elitizada e presa dentro dos laboratórios das Universidades e Centros de Pesquisa. A linguagem rebuscada e sisuda dos cientistas afasta e cria estereótipos extremamente nocivos. Os cientistas esperam ser abraçados pela sociedade e quando tentam fazer isso, usam jalecos e frases em inglês: são estranhos, estrangeiros.

A exemplo do futebol, se queremos torcedores temos que dar a bola para os meninos jogarem! As crianças precisam se apossar da ciência, fazer reações químicas, experimentar… E isso começa no ensino fundamental! Se as escolas não têm infraestrutura para realizar suas feiras de ciências, temos criatividade. Que bom seria se cada cientista brasileiro adotasse uma escola e contribuísse com a organização de uma feira de ciências. Difícil? Sim. Mas os resultados deste esforço vão muito além do que possamos imaginar.

Realizar uma simples feira de ciência é abrir um campo de várzea no meio do concreto da cidade, é dar uma bola de couro, chuteiras e meião para quem nunca bateu na bola. É olhar nos olhos das crianças e dizer: quer ser Einstein? Então vem!

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Leia o texto anterior: A nanotecnologia e a fome no mundo 

Helinando Oliveira

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