
Uma pesquisa de alcance nacional, realizada a partir da Universidade Federal do Ceará (UFC), vai ouvir de maneira ampla crianças e adolescentes brasileiros sobre suas experiências com os mecanismos de aferição de idade utilizados por plataformas digitais, redes sociais, jogos online e serviços de streaming.
Intitulado “Escutas de Crianças e Adolescentes sobre Processos de Aferição de Idade em Ambientes Digitais”, o estudo visa compreender como crianças e adolescentes de 9 a 17 anos percebem esses sistemas de aferição e levantar evidências que contribuam para o aprimoramento de políticas públicas de proteção das infâncias e adolescências no ambiente virtual. A pesquisa possui financiamento do Ministério da Justiça e Segurança Pública, através da Secretaria de Direitos Digitais, por meio de Termo de Execução Descentralizada (TED).
Crianças e adolescentes das cinco regiões brasileiras
A pesquisa adotará uma abordagem qualitativa e exploratória, com a realização de grupos focais em diferentes regiões do Brasil. Serão 12 grupos de discussão com crianças e adolescentes das cinco regiões do país. Os encontros buscarão contemplar a diversidade sociocultural brasileira, integrando também grupos específicos formados por públicos que frequentemente enfrentam barreiras adicionais de participação social, como comunidades quilombolas, indígenas e jovens com diferentes tipos de deficiência.
A coordenadora do estudo, Georgia Cruz, professora do Instituto UFC Virtual, destaca que a expansão acelerada das tecnologias digitais ampliou significativamente a presença de crianças e adolescentes na internet. “Esse cenário, ao mesmo tempo, trouxe novos desafios relacionados à exposição a conteúdos inadequados e a diferentes riscos digitais”, aponta.
A intenção é organizar e publicar os resultados da pesquisa em relatórios analíticos com os desafios e as oportunidades para o aprimoramento das estratégias de aferição etária e para a garantia dos direitos de crianças e adolescentes na rede.
ECA Digital
Em março de 2026, entrou em vigor no Brasil a Lei nº 15.211/2025, conhecida como Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), que estabelece diretrizes para a proteção desse público no ambiente digital. Uma das principais mudanças é a exigência de mecanismos confiáveis de verificação etária.
Até então, muitas plataformas adotavam dispositivos baseados na autodeclaração de idade, estratégia considerada limitada e frequentemente burlada pelos usuários. As informações sobre o andamento da pesquisa serão publicadas no site do Laboratório de Pesquisa da Relação Infância, Juventude e Mídia (LabGRIM) e no perfil do laboratório no Instagram.
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