Análise do potencial farmacêutico de espécies da Caatinga SCIARÁ

quarta-feira, 13 junho 2018
A faveleira (Cnidoscolus phyllacanthus) é uma das espécies estudadas pelo grupo. Foto: João Medeiros.

Pesquisa cearense visa a produção de biofármacos para ajudar no tratamento de doenças negligenciadas

Com mais de 750 mil km2 e ocupando cerca de 11% do território brasileiro, a Caatinga ainda é um dos biomas menos conhecidos do Brasil. Com o objetivo de conhecer e explorar o potencial de espécies da região, o Laboratório de Produtos Naturais da Universidade Estadual do Ceará (UECE), está desenvolvendo pesquisa, com apoio da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap), para produção de biofármacos, a partir da prospecção de estudos biológicos de componentes nativos da biodiversidade do semiárido, com foco nas doenças chamadas negligenciadas (causadas por agentes infecciosos ou parasitas e são consideradas endêmicas em populações de baixa renda). O trabalho é coordenado pelas professoras Selene Maia de Moraes e Maria Izabel Florindo Guedes.

Entre os resultados, o grupo obteve formulação para o tratamento e vacina terapêutica para a leishmaniose, além de ter descoberto plantas e constituintes com ação larvicida, que ajudaram no desenvolvimento de vacina e de antígenos para kits de diagnóstico de dengue e de outras arboviroses.

Fava d’anta (Dimorphandra gardneriana). Foto: Antonio Sergio.

No site da Funcap, é possível encontrar um resumo das principais descobertas, também abaixo listadas:

– PCOC (produto obtido da carnaúba): além da aplicação contra dislipidemias e diabetes tipo 2, pode ser usado como uma das bases para o desenvolvimento de alimentos nutracêuticos (nutre e apresenta funcionalidades farmacêuticas na prevenção e no tratamento de doenças). A substância gerou quatro patentes que mostram a sua aplicabilidade em diferentes setores, como saúde, alimentos e cosméticos;

– Faveleira (Cnidoscolus quercifolius): apresentou efeito contra diferentes linhagens tumorais; – Batiputá (Ouratea fieldingina): seu extrato originou um produto com eficácia em cicatrização;

– Alecrim do campo (Lippia microphylla) e Fava d’anta (Dimorphandra gardneriana): produzem substâncias antioxidantes com alto fator de proteção solar, propriedades que podem ser utilizadas na fabricação de cremes para proteção solar e cremes preventivos de envelhecimento.

Ainda não há prazo definido para que os produtos desenvolvidos sejam aplicados e levados ao mercado.

* Com informações da Funcap

Veja o resumo das descobertas no site da Funcap.

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Giselle Soares

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