Leve-me para a Lua #HojeÉDiadeCiência

sexta-feira, 20 abril 2018

Vários seres vivos hoje espalhados pelo planeta tiveram o privilégio de ir até a Lua e voltar. São as árvores da Lua – verdadeiras criaturas aladas

Durante uma das viagens à Lua, no início da década de 1970, foram levadas algumas centenas de sementes para um passeio espacial. Ao retornar ao reino da gravidade terrestre, várias delas germinaram e foram plantadas mundo afora. Elas ficaram conhecidas como as “árvores da Lua”. Duas delas estão no Brasil.

As sementes estavam a bordo da Apolo 14, que partiu em 31 de janeiro de 1971. Elas ficaram num container no módulo que permaneceu em órbita da Lua, pilotado pelo astronauta Stuart Roosa (autor da ideia e ex-guarda do serviço florestal norte-americano), enquanto os astronautas Alan Shepard e Edgar Mitchell caminhavam na superfície lunar.

Da esquerda para a direita: os astronautas da missão Apolo 14 Stuart Roosa, Alan Shepard e Edgar Mitchell. Google Imagens.

Árvores da Lua

As sementes foram escolhidas a partir de cinco espécies diferentes, todas de clima temperado ou subtropical. Elas foram classificadas e um grupo de sementes de controle ficou na Terra, para comparação posterior.

Muitas germinaram sem problemas após a inusitada viagem. As mudas foram plantadas em vários lugares dos Estados Unidos (como no jardim da Casa Branca, em Washington) e enviadas para o imperador do Japão, para a Suíça e o Brasil, onde uma está crescendo na cidade de Santa Rosa, interior do Rio Grande do Sul e outra na sede do Ibama, em Brasília.

Árvore lunar em Santa Rosa, Rio Grande do Sul.

Ambas são espécies nativas de áreas temperadas do leste da América do Norte. Ao lado da “árvore da Lua” de Santa Rosa há uma placa que indica a data do seu plantio (agosto de 1981, mas de 10 anos depois da viagem da Apolo 14), além de algumas frases retóricas e uma afirmação equivocada: que ela teria germinado em solo lunar.

Na verdade, nenhuma das sementes levadas à Lua sequer saiu de seu container. Elas ficaram a bordo do módulo de comando que permaneceu em órbita do satélite. Mas foi, sim, uma viagem e tanto!

Criaturas aladas

Nenhuma semente da Terra foi mais longe – por isso o título “árvore da Lua” é bastante apropriado. Nem todas continuam vivas, o que torna as restantes ainda mais valiosas. Assim mesmo já existe uma segunda geração, as descendentes diretas de alguns desses vegetais ilustres.

Cerimônia de plantio da “Árvore da Lua” no Ibama de Brasília, década de 1980. Google Imagens.

Entre 1969 e 1972 foram feitas oito viagens para a Lua (da Apolo 10 a Apolo 17), com seis pousos bem sucedidos (a Apolo 10 não foi destinada ao pouso e a Apolo 13 teve de voltar antes, por causa de um problema técnico).

Em cada “alunissagem” (a descida na Lua) um roteiro se repetia: um dos três astronautas ficava em órbita lunar, enquanto os outros dois pousavam na Lua, caminhando e fazendo experimentos por algumas horas, até se reunir novamente com o colega em órbita para iniciar a viagem de volta.

O feito desses astronautas representa um sonho de gerações. É bom saber que eles não foram os únicos que participaram dessa jornada. Vários outros seres vivos hoje espalhados pelo planeta também tiveram o privilégio de ir até a Lua e voltar. São as árvores da Lua – verdadeiras criaturas aladas.

Jornada lunar das sementes. Fonte: Correio Braziliense.

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Leia o texto anterior: Grandezas e magnitudes, do mesmo autor.

José Roberto de Vasconcelos Costa

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