Os dois lados da mesma moeda: a ciência como uma questão de Tempo e o Tempo como uma questão da ciência

quinta-feira, 28 setembro 2017

Nessa edição da Coluna do Jucá reflexões e questionamentos sobre o tempo e sua importância para a ciência

Como dizem dois grandes compositores brasileiros, Gilberto Gil e Cazuza, “o Tempo é rei e não para”. Para alguns teólogos, o Tempo decorrido depois da criação é de apenas 6.000 anos. A biologia revela que o Tempo necessário para que, a partir da fusão de duas células germinativas, nasça um ser humano é de até nove meses. Diz ainda que as espécies mudam ao longo do Tempo e que o Tempo necessário para se chegar ao nível de diversidade encontrado hoje é de centenas de milhares de anos. Darwin levou em conta o fator Tempo para formular sua teoria de descendência por modificação. Para Sir Isaac Newton, o Tempo era absoluto, homogêneo, independente, e passava continuamente pelo infinito. Já para Einstein, Tempo e espaço são uma coisa só (espaço-Tempo), com propriedades malucas (curvo, Lorentziano e quadri-dimensional)!  Segundo a cosmologia moderna, o universo está em expansão a partir de uma singularidade do espaço-Tempo, iniciado a 13,7 bilhões de anos. Para o físico britânico e pop star do mundo científico Stephen Hawking, o Tempo que ainda nos resta para deixar a terra é de apenas 100 anos.

Ao falar em Tempo não há como não falar em Stephen Hawking. O físico publicou no final da década de 80 um livro – Uma Breve História do Tempo – que se tornaria de imediato um grande best seller. Esse livro ajudou a popularizar e divulgar conceitos físicos que, antes, eram inacessíveis aos leigos. O livro faz um passeio pela evolução conceitual da física, desde os gigantes do passado até os mais recentes. O Tempo permeia todo o livro com questionamentos como: E o Tempo? É possível viajar no Tempo? Como funciona a quarta dimensão espaço-temporal?

Depois desse livro, “uma breve história” passou a ser quase um marketing para o mercado editorial e na ciência não poderia ser diferente! Entre os inúmeros títulos sobre ciência, três que menciono aqui (apesar das características serem completamente distintas) são: 1) Uma breve história da ciência (Patricia Fara – 2014); 2) Uma breve história da ciência (William Bynum – 2014) e 3) Sapiens – Uma breve história da humanidade (Yuval Noah Harari -2015).Retornando a Stephen Hawking, o mesmo, ao participar de um evento comemorativo sobre Ciências e as Artes na Noruega, fez um apelo aos países para se unirem em torno de missões espaciais para enviar astronautas à Lua e a Marte até 2020 e 2025, respectivamente. Segundo Hawking, ao contrário do que pensa e faz Donald Trump, os recursos financeiros para a resolução dos problemas do planeta são urgentes e prioritários, mas pensar “no futuro da humanidade” significa correr contra o Tempo. O Tempo é o X da questão, uma vez que problemas como o aquecimento global e a escassez dos recursos naturais ameaçam o futuro das próximas gerações. Ele justifica sua ideia com um forte argumento: “tenho esperanças de que isso uniria países que competem entre si em torno de uma única meta, para enfrentar o desafio comum a todos nós”.

Quando se mistura assuntos como: Tempo, literatura científica, missões espaciais, união entre países e desafios comuns, então somos levados a falar de Carl Sagan e de seu livro Contato. Nesse romance, a Dra. Arroway é a líder de um projeto no maior centro de radiotelescópios do mundo, o Argus. Após captar um sinal oriundo de uma estrela chamada Vega – formada por números primos – tem início um mega projeto para a construção de uma máquina para viajar no tempo. A despeito das questões filosóficas levantadas no livro – acerca da vida, do universo, da religião, da política e de Deus – certamente um dos pontos altos do livro é a cooperação entre as mais diversas nações do mundo com o intuito de construir a máquina. Depois de muito Tempo e alguns trilhões de dólares, finalmente a máquina estava pronta.

Por fim, alguns questionamentos que ainda permanecem (por uma questão de Tempo): quanto Tempo ainda resta para Donald Trump deixar de ser presidente? Quanto Tempo ainda levaremos para renovar o nosso congresso nacional? Por quanto Tempo ainda, a ciência brasileira vai deixar de ser prioridade para nossos governantes? Por quanto Tempo os recursos para C,T&I vão ser reduzidos, ao invés de aumentados?  Quanto Tempo ainda levará para um brasileiro ganhar um Prêmio Nobel? Quanto Tempo ainda levará para a ciência triunfar sobre um mosquito que transmite dengue, chikungunya e zika? Quanto Tempo a neurociência ainda levará para unir cérebro e máquinas? Quanto Tempo ainda falta para a ciência vencer a batalha contra doenças como o HIV, câncer, Parkinson, Alzheimer ou a malária? Cabe a nós torcer para que todas essas respostas surjam em pouco Tempo.

Referências Bibliográficas

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Thiago Jucá

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