Ser cientista – Parte 2 Ciência Nordestina

terça-feira, 23 janeiro 2018

Longe de qualquer glamour, ser cientista é 99% transpiração e 1% inspiração; Ciência rima com resiliência e persistência. Leia na coluna de Helinando Oliveira desta terça, conselhos para os jovens cientistas

Alimentar a inquietação dos jovens – futuros cientistas é um requisito para que eles encontrem motivação suficiente para iniciar a caminhada por esta longa e espinhosa estrada.

Este processo passa pela valorização de todo o conhecimento disponível. Um físico com bom domínio de geografia e artes (por exemplo) terá uma gama de oportunidades extras se comparado com outro físico que valoriza essencialmente a física.

Todo cientista deve estar aberto aos desafios do mundo real, entre eles, as decepções

Quanto mais estudar de tudo, mais aberto aos desafios do mundo real estará o cientista. É evidente que a especialização é fundamental e decorre da formação em nível de mestrado e doutorado. Todavia, antes desta etapa, é fundamental investir na formação mais generalista e de qualidade possível.

Um aspecto comumente negligenciado pelos estudantes da área de exatas é o zelo pelo estudo de línguas. No entanto, a boa escrita científica é fundamental para todo e qualquer cientista. Saber divulgar o que se faz potencializa a atividade acadêmica. E isso significa saber escrever bem e desenvolver o ser sistemático desde cedo. Um diário normalmente é o primeiro caderno de todo bom cientista. Quanto mais cedo a criança for estimulada a registrar seus momentos, mais sistemática será em sua vida profissional.

Um segundo aspecto fundamental para a vida adulta e em particular para o cientista é a sua capacidade de lidar com decepções.

Uma boa habilidade de comunicação potencializa o trabalho do cientista

Quando se diz que ciência é 99% transpiração e 1% de inspiração se tem um retrato claro de que o dia a dia em laboratório não dispõe de glamour algum. Aquilo que é mostrado nos colóquios e congressos é o sumario do 1% que funcionou. O restante não pode ser definido por erro. Eles são aprendizagem. Já perdi as contas de quantos alunos voluntários surgiram no laboratório e não mais voltaram no segundo dia. A sua expectativa era de encontrar um “eureka” a cada esquina. Mas ciência não é assim. Ciência rima com resiliência e persistência. Os problemas que a natureza nos oferece são muito complexos. Precisamos ser felizes pelo simples fato de poder enfrentá-los. Se conseguirmos, ótimo. Caso contrário, resta-nos entender que ciência é um a construção coletiva que é montada pela experiência de muitos anônimos. Ser mais um anônimo é também motivo de orgulho na caminhada de fazer ciência.

E ao final de tudo, se o jovem decide que não é a ciência que deve seguir, podemos ter certeza de que seguirá adiante alguém que dispõe de boa formação, boa escrita e uma boa capacidade de lidar com as dificuldades. Uma pessoa com este perfil terá sucesso em tudo o que desejar fazer. Aprender a aprender é a chave para a formação de bons profissionais naquilo que escolherem fazer.

A coluna Ciência Nordestina é atualizada às terças-feiras. Leia, opine, compartilhe e curta. Estamos no Facebook (nossaciencia), Twitter (nossaciencia), Instagram (nossaciencia) e temos email (redacao@nossaciencia.com.br). Use a hashtag CiênciaNordestina.

Leia o texto Ser Cientista – Parte 1, do mesmo autor.

Helinando Oliveira

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