Tuiuti Ciência Nordestina

terça-feira, 6 março 2018

Afinal, quem disse que o ano no Brasil começa após o carnaval? 2018 já foi abalado em meio ao carnaval. Na coluna Ciência Nordestina desta terça, Helinando Oliveira comenta o desfile da Paraíso do Tuiuti

Desde o desfile antológico de Joãozinho Trinta (que ousou levar uma réplica do Cristo Redentor enrolado em lona preta à Sapucaí) não houve momento tão brilhante, chocante e revelador quanto o que foi visto em pouco mais de uma hora no desfile da Paraíso do Tuiuti.

Fugir do velho “abaixo a corrupção!”, driblar a mídia formadora de opinião da classe média e obrigar os donos do poder financeiro a assistir um grandioso desfile de história não é algo comum.

Denunciar a escravidão como algo contínuo e que não foi quebrado pela lei Aurea é deveras corajoso… Mais que isso, obrigar os opressores a mostrar o fruto da opressão para todo o mundo é brilhante. Não foi surpresa ver que este foi o segundo assunto mais comentado no twitter no dia seguinte ao desfile.

A linha temporal que conecta a dominação humana dos tempos do Egito ao momento em que as carteiras de trabalho foram rasgadas (na última reforma das leis trabalhistas) demonstra que a elite apenas se adapta às ferramentas disponíveis para exercer a dominação.

É evidente o desejo de fazer com que muitos tenham cada vez menos e que poucos tenham cada vez mais. Só que estes poucos (que se fazem em tão pequeno número) precisam de um exército de pessoas da classe média que os defenda.

E ver no carnaval toda a classe média raivosa representada em uma ala de “manifestoches”, manipulados por patinhos neoliberais chega a ser um bálsamo para aqueles que por várias vezes cansaram de gritar que foi golpe.

E como diz o ditado: uma imagem vale mais que mil palavras. E esta imagem serviu para quebrar também outros ditados. Afinal, quem disse que o ano no Brasil começa após o carnaval? 2018 já foi abalado em meio ao carnaval. Brasileiros e brasileiras ameaçaram descer do morro se as coisas prometidas pela velha mídia vierem a acontecer…

Em tempos de dominação os pobres são apenas corpos atirados no chão, a classe média é formada por ouvidos, olhos, braços e panelas enquanto que a elite é o cérebro que manipula. Mas somos em nossa maioria um só povo, que trabalha e é explorado. Que pena que o carnaval já acabou. Precisaríamos ainda de muito mais alas, alegorias e fantasias, que transformassem tanto sentimento e palavras em imagens. Valeu, Tuiuti. Que este décimo que faltou seja o mesmo que impedirá que a desgraça se aposse do futuro de todos nós. O povo não quer a reforma da previdência. Precisa desenhar?

A coluna Ciência Nordestina é atualizada às terças-feiras. Leia, opine, compartilhe e curta. Estamos no Facebook (nossaciencia), Twitter (nossaciencia), Instagram (nossaciencia) e temos email (redacao@nossaciencia.com.br). Use a hashtag CiênciaNordestina.

Leia aqui o texto anterior: Quem precisa de uma elite pensante?

Helinando Oliveira

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