2018: perspectivas para a ciência (3) Especial

segunda-feira, 8 janeiro 2018

Quais são os desejos da comunidade científica para o Ano Novo? Confira mais respostas da nossa enquete.

O ano de 2017 chegou ao fim e certamente para a ciência e tecnologia no Brasil esse período ficará marcado pelos cortes, contingenciamento e tantas outras complicações políticas e econômicas. Virando a página, começa a surgir no horizonte 2018. O que esperar do ano novo? Nossa Ciência ouviu pesquisadores e outros profissionais da área sobre as perspectivas para o país e também para o desenvolvimento científico e tecnológico brasileiro em diferentes áreas.

Confira os depoimentos:

Sidarta Ribeiro. Professor Titular de Neurociências e Diretor do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (ICe-UFRN). É bacharel em Ciências Biológicas, mestre em Biofísica, Doutor em Comportamento Animal e Pós-Doutor em Neurofisiologia. Secretário da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência SBPC).

“Um país que não investe em ciência está fadado a ser colônia. Ciência não é gasto, é investimento. O corte de investimento, caso se confirme em 2018, será uma sentença de morte contra ciência brasileira. Nós, cientistas brasileiros, vamos resistir, fazendo ciência de qualidade e denunciando este governo irresponsável que não cuida do patrimônio maior de uma nação que é o seu futuro. A entrada do Instituto Serrapilheira no cenário brasileiro do fomento à ciência e tecnologia foi um fator extremamente decisivo em 2017, marcado por péssimas decisões governamentais que estão sufocando a pesquisa científica em nosso país. O ICe teve dois de seus pesquisadores, Tarciso Velho e Diego Laplagne, selecionados. Isso nos enche de orgulho e nos motiva a seguir resistindo. Em 2018, o ICe se mudará para sua sede definitiva, no Campus Central, consolidando o projeto. Temos excelentes perspectivas científicas para o ano novo, tanto na pesquisa básica sobre os mecanismos de funcionamento cerebral, quanto na pesquisa aplicada, na busca de diagnóstico e tratamento para desordem da fala, depressão, epilepsia, esquizofrenia, entre outros”.

Eduardo Sequerra. Professor do Instituto do Cérebro (ICe-UFRN). Bacharel em Genética, mestre em Ciências Biológicas, doutor em Ciências Biológicas e pós-doutor em neuroquímica. Especialista em biologia do desenvolvimento com ênfase no desenvolvimento neural.

“Apesar de querer muito, está difícil me manter otimista para o ano que vem. Com o orçamento aprovado para a Ciência e Educação vamos continuar a ver projetos de pesquisa importantes parando e universidades agonizando com falta de itens básicos de necessidade. Eu gosto sempre de usar o exemplo do surto de microcefalia para salientar a importância do investimento contínuo em ciência. O surto foi identificado em outubro de 2015, e em março de 2016, graças principalmente ao esforço de cientistas brasileiros, nós tínhamos certeza de que o vírus zika é o causador. Isso em termo de ciência é uma resposta muito rápida. E não foram editais específicos para microcefalia que deram suporte a isso. O dinheiro veio de outros projetos destes pesquisadores que foram prontamente realocados frente a uma emergência. Editais são lentos, não apoiam respostas rápidas. Quanto menos dinheiro tiver circulando entre nossos grupos menor será nossa capacidade de resposta à emergências. 2018 é também um ano de eleição. De nos mobilizarmos para defender nossa ciência. De alimentarmos nossas esperanças e cobrar projetos de governo para um país soberano que faça ciência de ponta”.

Keicyanne dos Anjos. Biomédica, pesquisadora da Fiocruz Pernambuco que estuda a Lectina extraída da Tilápia do Nilo como produto para ajudar pacientes transplantados reduzindo os riscos de rejeição e de infecções pós-cirúrgicas.

“Em 2018, espero que nosso país seja justo. Que a corrupção, desvio dos cofres públicos, a roubalheira escancarada deem lugar à uma política limpa, que  prioriza o povo brasileiro  e que investe nele. Que 2018, seja ao menos o início de tudo isso, para que possamos ter uma educação básica de qualidade, maior investimento nas universidades, e valorização da pesquisa científica, que apesar de tanto contribuir, têm sido imensamente esquecida.  Que em o Brasil vá às urnas e mostre o povo forte que é.

Na área do meu projeto de pesquisa, espero que 2018 seja um ano bem produtivo e de muita superação. Estamos bem animados e montamos um calendário bem organizado para que possamos cumprir todas as perspectivas. Para o primeiro semestre do ano que vem também está prevista a publicação do artigo científico com a pesquisa que foi matéria aqui no Portal Nossa Ciência. Espero firmar boas colaborações e levar nossa pesquisa à congresso nacionais e internacionais. Aproveito para desejar a toda comunidade científica, um 2018 recheado de bons resultados, publicações e de felicidade para todos que, assim como eu, amam o que fazem!”

Leia 2018: perspectivas para a ciência (2)

Edna Ferreira e Mônica Costa

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