2018: perspectivas para a ciência Especial

terça-feira, 2 janeiro 2018

Retomada do crescimento e de investimentos para a C&T no Brasil estão na lista de desejos da comunidade científica para o ano novo

O ano de 2017 chegou ao fim e certamente para a ciência e tecnologia no Brasil esse período ficará marcado pelos cortes, contingenciamento e tantas outras complicações políticas e econômicas. Virando a página, começa a surgir no horizonte 2018. O que esperar do ano novo? Nossa Ciência ouviu pesquisadores e outros profissionais do segmento sobre as perspectivas para o país e também para o desenvolvimento científico e tecnológico brasileiro em diferentes áreas.

A maioria torce por menos cortes e espera por mais recursos para prosseguir com seus projetos. Os cientistas mais uma vez alertam que “sem educação e ciência não há avanços na qualidade de vida da sociedade”. Superação, otimismo, retomada do crescimento e oportunidades são as palavras de ordem.

Confira os depoimentos:

Alipio DeSousa Filho: Cientista social, professor titular de Teoria Sociológica do Departamento de Ciências Sociais e de Filosofia Política do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), bolsista de produtividade do CNPq, doutor em sociologia pela Universidade de Paris V – Sorbonne.

“Espero que 2018 seja um ano com mais recursos para a ciência em todas as áreas no nosso país. Quando pensamos em recursos para a ciência, pensamos em produção de conhecimento que melhore a vida de todos nas nossas sociedades, sobretudo produção de conhecimento que ajude a minorar o sofrimento de tantos que sabemos padecer por causas como doenças, desigualdades sociais, injustiças, preconceitos, discriminações, violências. Conhecimento que tanto pode ser na forma de tecnologias como de ideias que ajudem a confortar, compreender, esclarecer e estimular a luta por transformações sociais.”

Diana Lunardi: Pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Ambiente, Tecnologia e Sociedade da Universidade Federal Rural do Semi-árido (Ufersa). Atualmente, realiza estudos científicos no Parque Nacional da Furna Feia (Parna Furna Feia), Unidade de Conservação Ambiental localizada entre os municípios de Baraúna e Mossoró (RN), um verdadeiro laboratório natural no sertão.

“Em 2017, as Universidades Federais brasileiras sofreram cortes orçamentários severos, resultando, principalmente, em perda de produtividade em ciência e tecnologia. Não foi um ano fácil para a ciência e nem para os brasileiros. Apesar das previsões pessimistas, realizadas inclusive pelo próprio governo federal, sou uma eterna otimista e acredito que, apesar de todas as dificuldades financeiras e desafios políticos que estamos vivendo, teremos um ano de aprendizado, de importantes descobertas e de desenvolvimento e consolidação científica e tecnológica.

Na área de planejamento ambiental, espera-se que sejam implementadas uma série de ações que já vem sendo discutidas e investigadas na última década. A crise econômica, política e também ambiental torna-se, se não um obstáculo, uma oportunidade para implementação de ações de desenvolvimento sustentável que integrem o bem-estar social com a conservação dos recursos naturais.”

Fernando Peregrino. Mestre e doutor em Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é presidente do Conselho Nacional das Fundações de Apoio às Universidades (CONFIES) e diretor executivo da Fundação COPPETEC. Ele integra o conselho da Fundação Darcy Ribeiro e atua na COPPE/UFRJ, desenvolvendo estudos para o Mestrado e Doutorado sobre modelos das organizações sociais para o setor de ciência e tecnologia, e os impactos do fator Confiança na implementação de políticas públicas.

“Um ano de cisões na sociedade. Ou seja, duelarão as correntes de opinião a favor e contra o domínio do capital financeiro sobre a política econômica. Na nossa área de Ciência e Inovação, a das fundações de apoio às universidades, o duelo será entre o movimento que quer a privatização ampla e total do ensino superior e os que defendem a preservação das universidades públicas como centros de excelência produtores de conhecimento e inovação! Duas visões incompatíveis. Em dezembro de 2018 saberemos quem predominou!”

Gúbio Soares. Pesquisador do Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Federal da Bahia (UFBA) trabalha para implementar um método de baixo custo e simples de detecção de vírus entéricos em águas ambientais. Os vírus entéricos humanos (rotavírus, norovírus e vírus da hepatite A) são importantes causas de diarreias e dores abdominais, enfermidades que podem ser veiculadas através da água. Teste identifica vírus no mar

“Para o país espero que possamos eleger um presidente que trabalhe para o povo sair da miséria não dando bolsas família ou algo do gênero para mantê-los na miséria. Para pesquisa o panorama é péssimo, mas vamos lutar.”

André Laurindo Maitelli. Professor Titular do Departamento de Engenharia de Computação e Automação (DCA) da UFRN. Pesquisador com experiência na coordenação e participação de 35 projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação desde 1996. Diretor Geral da FUNPEC (Fundação Norte-Riograndense de Pesquisa e Cultura) desde outubro de 2016.

“Em 2018 espero que a ciência e a tecnologia sejam valorizadas, com a retomada dos investimentos e incentivos nessa área estratégica para o país. Vejo boas perspectivas para o próximo ano na área de automação, com destaque para aplicações em prédios, dentro do contexto de cidades inteligentes.”

Edna Ferreira e Mônica Costa

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