Universidades do nordeste alcançam desempenho de excelência na Avaliação da Capes Educação

terça-feira, 26 setembro 2017

Federal do Ceará se destaca com 10 cursos avaliados com padrão internacional, mas investirá na melhoria de outros que tiveram notas baixas

As Universidades nordestinas avançaram no desempenho de seus cursos de pós-graduação. Foi o que revelou o levantamento divulgado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) com os resultados da Avaliação Quadrienal 2017 referente aos programas de pós-graduação stricto sensu em funcionamento no Sistema Nacional de Pós-Graduação (SNPG). No nordeste, o destaque foi a Universidade Federal do Ceará (UFC) que teve 10 cursos avaliados com padrão internacional – sendo três programas com nota máxima – assumindo assim a liderança no ranking da região.

Foram analisados programas com, pelo menos, um ano de funcionamento. A nota 7 foi atribuída a 179 programas, sendo nove da Região Nordeste. A Região Norte não teve nota 7. Na Região Centro-Oeste, houve cinco notas 7; na Região Sul, foram 30 notas 7; e a Região Sudeste concentra 135 notas 7. A avaliação, no entanto, revela contrastes dentro de uma mesma instituição. Enquanto, uns cursos estão no topo, outros tiveram notas baixas e precisam melhorar para não serem encerrados.

UFC: liderança regional

Pela primeira vez três programas de pós-graduação da Universidade Federal do Ceará (UFC) obtiveram nota máxima na avaliação. Física, Matemática e Engenharia Civil: Recursos Hídricos receberam nota 7, em escala que vai de 3 a 7. Nessa escala, a nota 5 equivale ao conceito de “excelência nacional” e os cursos com nota a partir de 6 são avaliados como de “excelência internacional”. No caso dos cursos de nota 7, os programas precisam demonstrar alta produtividade e qualidade em várias linhas de pesquisa simultaneamente.

De acordo com a planilha da Capes, que não identifica a unidade da federação das instituições, foi possível observar, no entanto, alguns contrastes. Apesar do bom desempenho, a UFC teve o mestrado em Medicina 2 e Ciências da Saúde, por exemplo, avaliados com nota 3, o que colocaria os em risco de fechamento.

O professor Antonio Gomes de Souza Filho, pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da UFC explicou que o mestrado em Ciências da Saúde é um curso novo, iniciado em 2013, no Campus Sobral. “Essa é uma unidade acadêmica nova e que ainda está em consolidação. Nossa expectativa e esforços serão para que as próximas avaliações sejam melhores”, afirmou.

A UFC foi a instituição Nordeste com mais cursos de padrão internacional: 10, o equivalente a 17% dos cursos avaliados. A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) vem em seguida, com 8 cursos, e a Universidade Federal da Bahia (UFBA) é a terceira, com 5.

“Essa grande conquista da UFC é um marco histórico. Interessante é que, exatamente há 10 anos, a UFC comemorava o ingresso de dois programas (Física e Farmacologia) no grupo de elite dos programas de referência internacional com conceito 6. Em uma década o número de cursos com nota 6 passou para sete, e três atingiram o nível 7”, disse o pró-reitor.

Para ele, o resultado é fruto de um trabalho continuado de várias gestões que planejaram e apoiaram a pesquisa, mas, principalmente, de uma comunidade acadêmica que se empenhou e sincronizou seus esforços para fazer o melhor. “Essa conquista da UFC coloca o estado do Ceará na liderança do Norte e Nordeste em cursos com padrão internacional”, destacou.

UFRN: mérito e muito trabalho

A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) alcançou a marca de 63,3% de seus programas avaliados deste patamar em diante (igual ou superior a 4), com uma importante distinção: o Programa de Pós-Graduação em Ciência e Engenharia dos Materiais alcançou a nota máxima 7, grau inédito para um programa de pós-graduação da UFRN e raro no Nordeste, região onde apenas outros oito estão neste nível.

Assim, Junto com as pós-graduações em Ecologia e em Psicobiologia, que alcançaram conceito 6, forma a tríade de programas de pós-graduação da Universidade com desempenho equivalente ao alto padrão internacional, segundo a metodologia da Capes. Ao todo, 60 programas acadêmicos de pós-graduação da UFRN passaram por avaliação. Além das três notas já citadas, 15 programas de pós-graduação obtiveram conceito 5 e outros 20 receberam nota 4.

A reitora da UFRN, Ângela Maria Paiva Cruz, analisou que o resultado é fruto da busca pela excelência acadêmica que a atual gestão coloca em prática. “Celebrando o resultado obtido, temos muito a comemorar. Contextualizando, há desigualdades entre as regiões, pois a maior incidência de programas com conceitos 6 ou 7 é nas regiões Sul e Sudeste. Então, alcançarmos um conceito 7, é algo distintivo, uma marca fundamental, fruto de mérito e muito trabalho”, destacou Ângela Paiva.

UFPE: evolução qualitativa

A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) obteve nota máxima em três programas: Ciência da Computação, Engenharia de Produção e Física receberam nota 7. Já os programas de Biologia Animal, Ciência Política, Química, Serviço Social e Sociologia obtiveram nota 6, também considerada de padrão internacional.

Os programas com nota 4 e 5 somam quase 75% do total e houve diminuição pela metade dos programas com nota 3 em relação ao triênio 2010-2012 (a avaliação era trienal e passou a ser quadrienal). Ao todo, foram avaliados 61 programas de pós-graduação da UFPE.

“Este resultado está inserido em um contexto de fortalecimento da UFPE como universidade pública de relevância”, destaca o reitor Anísio Brasileiro. Para ele, três fatores são os responsáveis pelo sucesso da pós-graduação na Universidade: o sentimento de pertencimento e compromisso do corpo acadêmico, a qualidade da pesquisa e das publicações e as parcerias estratégicas com a sociedade. Além da luta por recursos públicos, o reitor ressaltou a capacidade da instituição de atrair mais investimentos privados.

“Tivemos um brutal corte de recursos desde 2015, então evoluir qualitativamente foi um ganho considerável”, examina o pró-reitor para Assuntos de Pesquisa e Pós-Graduação (Propesq), Ernani Carvalho. Atualmente, a UFPE tem mais alunos de doutorado matriculados do que nos cursos de mestrado. “É uma mudança de perfil: agora somos uma universidade doutoral”, afirmou.

UFCG: entrando na excelência

O programa de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) está entre os 179 programas de pós-graduação do país (4,3%) com desempenho equivalente a padrões internacionais de excelência, com nota 7. Com isso a universidade paraibana entrou na lista das instituições com programa de pós-graduação com conceito máximo na avaliação quadrienal da Capes – que equivale a padrões internacionais de excelência.

“A nota sete obtida pelo Programa de Pós-graduação em Engenharia Elétrica promove ainda mais o reconhecimento internacional da UFCG”, afirmou o reitor Vicemário Simões. Na área, apenas os programas da PUC/Rio e da USP/São Carlos obtiveram o mesmo conceito.

O Doutorado em Matemática (associado com a Universidade Federal da Paraíba – UFPB), atingindo o conceito cinco, e os programas de Letras (Mestrado em Linguagem e Ensino) e o de Sociologia (Mestrado e Doutorado em Ciências Sociais), que elevaram seus conceitos para quatro, “aumentam o realce da instituição nacionalmente”, avaliou o reitor, destacando ainda o bom desempenho de outros programas.

Para o pró-reitor de Pós-Graduação, Benemar Alencar, “a avaliação também é importante para reorientar os programas que tiveram seus conceitos baixados”. Numa análise global, destacou os avanços da UFCG na área de Humanas (dois dos três programas aumentaram seus conceitos) e atribuiu os resultados adversos de Medicina Veterinária e Meteorologia a fatores circunstanciais, “uma vez que são consolidados e reconhecidos nacionalmente”.

O diretor do Centro de Engenharia Elétrica e Informática (CEEI), José Sérgio da Rocha Neto, ao parabenizar os que fazem o programa de Pós-graduação em Engenharia Elétrica, lembrou que o curso, já reconhecido internacionalmente, chega à pontuação máxima pelas conquistas constantes da sua graduação (cinco estrelas, em avaliações nacionais há mais de dez anos) e pós-graduação (conceito seis em avaliações anteriores), provendo os talentos que a destacam. “Todos os que fazem a Engenharia Elétrica estão de parabéns”, resumiu.

O levantamento

A Avaliação Quadrienal abrangeu, em todo o país, 4.175 programas de pós-graduação e seus 6.303 cursos em 49 áreas de conhecimento. O levantamento considera uma escala que vai de 1 a 7, na qual a pontuação igual ou superior a 4 indica bem ou muito bem avaliado.

As comissões utilizam como base para a avaliação as informações fornecidas de forma contínua pelos programas durante o período avaliado, por meio da Plataforma Sucupira. Os critérios de avaliação consideram cinco quesitos: proposta do programa, corpo docente, corpo discente, produção intelectual e inserção social. Nessa etapa houve uma mudança no sistema de avaliação que passou a adotar o intervalo de quatro anos entre as análises, período alterado em decorrência da aceleração do crescimento do sistema nacional de pós-graduação.

A lista completa pode ser consultada no site da Capes.

Edna Ferreira, com informações da Capes

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