(Foto: Eduardo Mendonça - Assecom / Ufersa)

Pesquisa revela que menos de um quarto das notícias no BR têm mulheres como fonte

Nos dias 30 e 31 de março, será realizado, em formato totalmente online, o evento de apresentação dos resultados do Global Media Monitoring Project (GMMP) Brasil 2025, a maior pesquisa longitudinal do mundo dedicada a monitorar a representação de gênero na mídia jornalística. A programação reúne pesquisadoras/es, profissionais da comunicação, representantes de entidades, coletivos e instituições comprometidas com a promoção da igualdade de gênero e com o fortalecimento das políticas públicas no país.

Desde 1995, o GMMP é realizado a cada cinco anos em mais de 100 países, como o objetivo de analisar como mulheres e homens aparecem — ou deixam de aparecer — nas notícias. No Brasil, o monitoramento de 2025 examinou conteúdos de 683 notícias de 38 veículos jornalísticos, entre jornais impressos (10), sites (12) e emissoras de rádio (08) e televisão (08), oferecendo um panorama atualizado sobre desigualdades de gênero na mídia mainstream.

Resultados

Dentre os resultados, o monitoramento constatou que a participação feminina diminuiu em 2025, em todas as funções elencadas nas notícias. Na função de sujeito, que são as pessoas retratadas como centrais, ou seja, que o texto trata sobre elas ou algo que fizeram ou disseram, apenas 19% foram mulheres. Já os homens exerceram, na mesma função, papeis de protagonismo em 81% das notícias.

O evento é aberto ao público e voltado a pesquisadoras/es, estudantes, profissionais da comunicação, organizações da sociedade civil e demais interessadas/os no debate sobre mídia e igualdade de gênero. A programação será transmitida através do Canal @DiversidadenaECA, no Youtube.

Programação

30 de março

09h30 Mesa 1 – Resultados GMMP Brasil 2025

A mesa abre o evento com a apresentação dos dados nacionais, destacando como as mulheres são representadas nas notícias e quais são os padrões de desigualdade que persistem. Além da coordenação nacional, participam também representantes de entidades e coletivos que atuam na defesa das políticas de igualdade, ampliando o diálogo entre pesquisa e sociedade civil.

14h30 Mesa 2 – Comunicação e políticas públicas

Aborda a necessidade de políticas públicas que ampliem a presença das mulheres na vida pública e, consequentemente, nas notícias. Os dados do GMMP evidenciam que mulheres aparecem majoritariamente como vítimas de violência — especialmente violência de gênero — e que a cobertura midiática ainda é incipiente e marcada por estereótipos. A mesa discutirá caminhos para políticas efetivas de equidade de gênero e enfrentamento das violências de gênero e étnico-raciais.

31 de março

09h30 Mesa 3 – Ensino e pesquisa em jornalismo, atravessamentos e representatividade de gênero

A partir do pensamento feminista e dos resultados do GMMP, a mesa discute como o gênero atravessa o ensino e a prática jornalísticos. Serão abordados critérios de noticiabilidade, seleção de fontes, interseccionalidade, visibilidade das mulheres e os sentidos de participação e representação nos conteúdos jornalísticos.

14h30 Mesa 4 – Boas práticas em Jornalismo

Encerrando o evento, a mesa reúne experiências e reflexões sobre práticas jornalísticas comprometidas com a equidade de gênero e o feminismo interseccional. O debate inclui marcadores sociais como raça, classe, orientação sexual e deficiência, além de análises críticas de coberturas sobre violência de gênero e violência política de gênero.

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