Toda terça, os leitores do Nossa Ciência encontram um texto novo da coluna Ciência Nordestina.

A trajetória da coluna Ciência Nordestina no portal Nossa Ciência

A primeira notícia que tive do professor Helinando Pequeno de Oliveira foi sobre seu trabalho como pesquisador. O ano era 2016. Uma matéria publicada no Jornal da Ciência, da SBPC, informava sobre os promissores trabalhos de um grupo de pesquisa baseado no sertão nordestino, na Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), no lugar mais lindo do Brasil, que é a confluência das cidades de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA), às margens do Velho Chico.

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Ele havia acabado de deixar o cargo de pró-reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação, que exerceu entre 2012 e 2016. A pesquisa buscava desenvolver supercapacitores com novos materiais — um deles, a pele da casca do ovo. Como dizia uma ex-chefe minha, “botei o olho nele”, porque vi que o trabalho poderia render boas matérias.

O currículo do professor era incrivelmente rico — ele havia feito seu pós-doutorado no MIT (Massachusetts Institute of Technology), nos Estados Unidos, tinha contato com potenciais candidatos ao Prêmio Nobel e, ainda assim, era extremamente acessível. Todas as vezes que o procurei, o professor me atendeu com agilidade e paciência para explicar seu trabalho.

Honestamente, gostaria que todas as pessoas que leem o portal Nossa Ciência soubessem do meu orgulho em ter a companhia do professor neste projeto.

Tempos difíceis

Em 2017, a editora e o professor criaram a coluna Ciência Nordestina.

Em 2017, ele me avisou que viria a Natal (RN), sede do portal Nossa Ciência, e marcamos um café. Ali, na cara dura, perguntei se ele não teria interesse em escrever semanalmente para o portal. Aquele foi um período difícil. O golpe contra a presidenta Dilma havia ocorrido há pouco, e começava a haver um grande desmantelamento da pouca estrutura que os governos petistas haviam conseguido erguer. O MCTI foi extinto. O Ministério da Educação, sucateado. Nos três anos anteriores ao golpe, muitos pesquisadores criticavam o que chamavam de más condições e de escassez de verbas para a ciência. Naquele momento, perceberam que até aquele pouco lhes havia sido tirado.

Propus a Helinando escrever sobre política científica, voltada especialmente para o Nordeste. Ele aceitou de imediato.

Em 2020, começou a pandemia de Covid-19. Conseguimos manter o portal por mais de um ano. O sujeito “nós” aqui, nesta frase, é decorativo, porque quem manteve o portal no ar foi a jornalista Edna Ferreira. Esta jornalista que assina este texto entrou em parafuso. Não conseguia ver saída daquela loucura que estávamos vivendo, com um governo federal causando sérios distúrbios no país. Tive perdas das quais ainda não me recuperei, desisti e mergulhei em mim mesma.

O retorno

Em 2024, estimulada por pesquisadores e jornalistas, decidi retomar o projeto. Procurei o professor Helinando e, para minha alegria, ele achou a ideia excelente e imediatamente se comprometeu com o portal Nossa Ciência.

Agora, suas atribuições haviam crescido — e muito. Além de ser membro permanente do Programa de Pós-Graduação em Ciência dos Materiais (Univasf) e da Rede Renorbio (polo UFRPE), é professor titular da Univasf desde 2020; vice-presidente da Academia Pernambucana de Ciências (cadeira 19); bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq (nível 1C); membro da Câmara de Assessoramento e Avaliação em Ciências Exatas e da Terra da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe); e participa da equipe de embaixadores do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM).

Mas, ainda assim, tal qual na primeira fase da coluna Ciência Nordestina, ele nunca deixou de cumprir seu compromisso com seus leitores — que são muitos. Esteja de férias, seja feriado nacional ou local, toda terça-feira há um texto novo. Hoje, a coluna Ciência Nordestina completa 300 edições, e o professor Helinando Oliveira me convidou para escrever em seu lugar.

Honestamente, gostaria que todas as pessoas que leem o portal Nossa Ciência soubessem do meu orgulho em ter a companhia do professor neste projeto.

Muito obrigada, Helinando, por seu compromisso com a divulgação científica. Oxalá, que muitos mais pesquisadores assumam para si a tarefa de popularizar a ciência.

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Texto publicado originalmente em julho/2025