A saga de Andrômeda #HojeÉDiadeCiência

sexta-feira, 2 agosto 2019

Da Mitologia à Astronomia, são muitas as informações sobre essa constelação que contem uma famosa galáxia a 2,2 milhões de anos-luz de distância da Terra

Andrômeda é o nome de uma constelação boreal, isto é, um agrupamento de estrelas do hemisfério celeste norte. Os dois hemisférios celestes compõem a chamada esfera celeste, uma representação do firmamento circundando toda a Terra.

Na mitologia, Andrômeda é filha de Cefeu e Cassiopéia. Por ter declarado que a beleza de sua filha superava a das Nereidas (as ninfas dos mares), Netuno, o senhor dos oceanos, enviou um monstro marinho para devastar o país de Cefeu. Um oráculo revelou que para se livrar do mal Cefeu teria que sacrificar sua própria filha ao deus vingativo.

Andrômeda foi então exposta sobre rochedos da praia para que o monstro a devorasse. Mas o herói Perseu usou a cabeça decepada de Medusa para petrificar a besta e libertou Andrômeda, casando-se em seguida com a bela jovem. Os dois foram felizes por muitos anos, e a lenda ainda diz que após sua morte Andrômeda foi imortalizada na forma de uma constelação.

A constelação de Andrômeda é mencionada na obra Almagesto, de Ptolomeu, no século II d.C. Apesar de não figurar entre as constelações mais brilhantes do céu, é nela onde registramos o ponto mais distante da Terra visível a olho nu: a galáxia de Andrômeda.

Na Mitologia, Perseu salva Andrômeda do monstro marinho.

Procurando Andrômeda

Uma galáxia é um aglomerado de gás, poeira e, principalmente, estrelas. Centenas de bilhões de estrelas mantidas próximas por meio da força gravitacional de cada uma.

A galáxia de Andrômeda tem a mesma forma espiral que a nossa galáxia, a Via-Láctea, porém é maior e se encontra a 2,2 milhões de anos-luz de distância (um ano luz é a distância que luz percorre em um ano, e vale cerca de 9 e ½ trilhões de quilômetros).

A galáxia de Andrômeda aparece no céu como uma mancha difusa e, neste mês, pode ser vista por volta da meia noite a cerca de 25 graus (mais ou menos o comprimento da palma da sua mão, com o braço estendido) acima do horizonte nordeste. Mas você não vai conseguir vê-la num ambiente iluminado. Observá-la (a olho nu ou mesmo com um binóculo ou luneta) requer um céu limpo e de preferência afastado das luzes urbanas.

O telescópio espacial Hubble revelou que a galáxia de Andrômeda possui um núcleo duplo, possivelmente por ter “devorado” uma galáxia menor. Galáxias que “engolem” outras não são novidade. Sabemos, por exemplo, que a própria Via Láctea absorveu uma pequena galáxia vizinha.

E, é claro, Andrômeda não é tão grande por acaso. Muito provavelmente ela conquistou sua grandeza às custas da massa de galáxias vizinhas ao longo dos últimos bilhões de anos.

O grande final

Na verdade é provável que essa “comilança cósmica” predomine nos processos de evolução das galáxias. Elas podem colidir, fundindo-se uma a outra, ou simplesmente interagir, apenas trocando matéria.

E neste exato momento Via Láctea e Andrômeda estão se aproximando uma da outra a cerca de 480.000 km/h. Sem pânico. Vai levar não menos que três bilhões de anos para começarem a interagir de verdade – tempo que pode coincidir com a morte do Sol… Mas isso é uma outra história.

Gostou da coluna? Do assunto? Quer sugerir algum tema? Queremos saber sua opinião. Estamos no Facebook (nossaciencia), Twitter (nossaciencia), Instagram (nossaciencia) e temos email (redacao@nossaciencia.com.br). Use a hashtag #HojeeDiadeCiencia.

Leia o texto anterior: Um brasileiro na Lua

Leia também: Astronomia Zênite

 

José Roberto Costa

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Site desenvolvido pela Interativa Digital