Água e sabão Ciência Nordestina

terça-feira, 24 março 2020

Colunista reforça que uma boa lavagem de mãos com água e sabão é muito mais eficiente que o álcool gel

Como esperado, a Covid-19 chegou ao nível de pandemia. O crescimento acentuado de casos confirmados no Brasil parece apresentar uma dinâmica que já supera o que foi visto na Itália e a explosão no número de casos suspeitos mostra que estamos à espera de um tsunami terrível causado por este vírus. Tudo o que podemos fazer neste momento é nos preservar (na condição de isolamento e quarentena) e aplicar os hábitos de higiene já tão difundidos pela mídia.

No entanto, estes hábitos remetem ao uso contínuo de álcool gel, que desapareceu de todas as prateleiras do país. Ao invés de fazer uma peregrinação entre farmácias, comprar produtos inflacionados ou tentar produzir álcool gel artesanal, a recomendação mais simples é: água e sabão são muito mais eficientes que o álcool gel contra o coronavírus.

Estes vírus contêm uma camada lipídica que torna o material mais sensível aos agentes saponificantes. Logo, uma boa lavagem de mãos com água e sabão faz o suficiente para eliminá-los de nós. O problema do álcool gel artesanal fica por conta do risco de incêndio e também do erro na hora de diluir o material. Se preparado fora da proporção 70:30, o material deixa de funcionar como desinfetante e virucida. Assim, teremos um novo crescimento na curva de contaminação por pessoas que praticam os hábitos corretos com materiais ineficientes.

Este é o momento de quarentena, com especial atenção aos idosos, que precisam manter distância de aglomerados de pessoas – o maior grupo de risco é o deles. É momento de lavar as mãos constantemente e abusar do sabão. Precisamos reduzir a curva de infectados para ver uma luz no horizonte. Já dizia uma mensagem de celular: nossos avós foram chamados à guerra. Agora, somos chamados a sentar no sofá. Façamos nossa parte da melhor forma possível.

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Leia o texto anterior: Vírus e pandemias

Helinando Oliveira é Professor da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) desde 2004 e coordenador do Laboratório de Espectroscopia de Impedância e Materiais Orgânicos (LEIMO).

Helinando Oliveira

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