(Foto: Cicero Oliveira / UFRN)

Nova tecnologia inova na administração de medicamento oftálmico

Seis pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) obtiveram a concessão de uma patente que propõe uma alternativa inovadora para o tratamento de infecções oculares. A tecnologia consiste em uma lente de contato terapêutica que incorpora fármacos e os libera de forma controlada na superfície ocular, ampliando a eficácia terapêutica. A notícia está publicada no Portal da UFRN

Segundo a pesquisadora Fabia Julliana Jorge de Souza, a equipe desenvolveu a lente para superar limitações relevantes das terapias convencionais. A solução alia eficiência e conforto ao paciente. A equipe avaliou a Anfotericina B, utilizada no tratamento da ceratite fúngica. A infecção provoca dor, vermelhidão, fotofobia e redução visual, podendo evoluir para cegueira. A lente promove liberação sustentada do fármaco por até 24 horas. Diferentemente dos colírios, ela prolonga a permanência no olho e reduz a necessidade de aplicações frequentes.

Adesão ao tratamento

A publicação explica que o dispositivo apresenta ampla aplicabilidade em clínicas, hospitais, atendimentos ambulatoriais e cuidados domiciliares supervisionados. Ele beneficia pacientes dependentes de colírios contínuos ou terapias invasivas. A tecnologia também favorece a adesão ao tratamento, devido à menor frequência de administração e o maior conforto, que estimulam o seguimento adequado das orientações médicas.

Pesquisadores responsáveis pela tecnologia (Foto: Cícero Oliveira / UFRN)

O pesquisador Eryvaldo Sócrates Tabosa do Egito ressalta que o controle da liberação diretamente na córnea eleva a eficácia terapêutica e a qualidade de vida. A lente minimiza efeitos adversos associados à Anfotericina B, como irritação ocular e baixa biodisponibilidade. O contato prolongado melhora a absorção e potencializa o efeito terapêutico.

A equipe desenvolveu a tecnologia em nível laboratorial, com protótipos já produzidos e testados. Os pesquisadores realizaram estudos de liberação controlada e caracterização físico-química. O grupo também conduziu simulações de dinâmica molecular, consolidando a viabilidade do dispositivo. Atualmente, avança para etapas adicionais de validação experimental. Entre essas etapas estão estudos de esterilização, testes de toxicidade e ensaios em modelos animais. Esses procedimentos visam assegurar segurança e eficácia antes da aplicação clínica.

Também participaram do estudo Francisco Alexandrino Júnior, Éverton do Nascimento Alencar, Lucas Amaral Machado e Joerbson Medeiros de Paula. A pesquisa integra o Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da UFRN e evidencia a relevância do patenteamento no ambiente acadêmico.

Patente

A proteção da inovação viabiliza a transferência de tecnologia para a indústria e amplia o impacto social do conhecimento científico. Intitulada “Lentes de contato oftálmicas terapêuticas produzidas com hidrogéis para veiculação de fármacos”, a patente foi depositada em 2020 e concedida em abril.

Esta foi a sétima concessão de patente à UFRN no ano, elevando o total para 111 registros. A instituição lidera o número de concessões nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. A carta patente formaliza o reconhecimento do direito do titular após análise de novidade, atividade inventiva e aplicação industrial. O documento assegura exclusividade de uso, produção, comercialização e importação da tecnologia no Brasil. O processo para a concessão de uma patente exige o cumprimento de critérios temporais previstos em lei. Após o depósito, o INPI mantém o documento sob sigilo por 18 meses. Em seguida, o pedido é publicado e permanece pelo mesmo período aberto a contestações. Após esses três anos, o Instituto inicia a análise técnica propriamente dita. Por esse motivo, é comum que a concessão ocorra cerca de cinco anos após o depósito.

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