Intervenção nas Universidades: parte II – implicações Ciência Nordestina

terça-feira, 19 maio 2020

Colunista expõe as implicações, atuais e futuras, do processo de intervenção das instituições públicas federais de ensino superior

A matéria da semana passada falou do amparo legal para a escolha de dirigentes de instituições públicas federais de ensino superior. Nesta segunda (e última) parte, falaremos das implicações (atuais e futuras) deste processo.

O povo brasileiro já se acostumou a escolher seus prefeitos, governadores e presidentes pelo voto direto (e universal). Na Universidade, a escolha é dada na instância do Conselho Universitário que conta com representantes de todos os segmentos que a compõem além da comunidade externa. No entanto, ao invés de escolher diretamente seu reitor, o Conselho elabora a lista dos três primeiros colocados e repassa ao governo para que este faça a indicação. Se existir viés ideológico de qualquer natureza nesta indicação, qualquer terceiro lugar pode ser alçado à vaga de reitor. Ou mesmo alguém que nem esteja na dita lista tríplice, fazendo às vezes de interventor.

Entram em cena os atores políticos externos, que muitas vezes carregam demandas eleitoreiras e conchavos políticos que os beneficie no próximo pleito eleitoral. Assim, a instituição passa a ser uma peça de barganha à mercê da configuração política mais adequada para o articulador, que impõe a sua vontade sobre o anseio coletivo de toda uma comunidade que escolheu democraticamente seu dirigente.

Com isso, os projetos escolhidos pela comunidade são substituídos por uma folha impressa de indicação, assinada por algum parlamentar privilegiado. E assim, a democracia é trocada por uma indicação que é feita nos bastidores.

Este processo de desqualificação e desrespeito à autonomia das Universidades transforma os tribunais em grandes espaços de definição do futuro das instituições, afetando diretamente os rumos de milhares de jovens de dentro e de fora (ou para fora) das Universidades.

Na verdade, toda esta disputa começa e termina pelo acesso dos menos favorecidos ao ensino superior. Porque a entrada massiva do povo na Universidade incomodaria  tanto as elites?

Porque eles tanto anseiam controlar os rumos do espaço do livre pensar?

A Universidade chegou ao interior do Brasil – habemos doutores filhos do povo. A elite escravocrata brasileira precisa entender que os limites de sua manipulação retrógrada estão diminuindo.

Mexer na autonomia universitária? Não!

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Leia o texto anterior: Intervenção nas Universidades: parte I – Gênese

Helinando Oliveira é Professor da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) desde 2004 e coordenador do Laboratório de Espectroscopia de Impedância e Materiais Orgânicos (LEIMO).

Helinando Oliveira

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