Paulo Freire 100 anos Ciência Nordestina

terça-feira, 21 setembro 2021
Foto: Acervo Nita Freire.

Homenagem ao educador pernambucano inteligente de natureza criativa, contestadora e inquieta

Neste 19 de setembro o mundo celebra os 100 anos de um pernambucano espetacular que ousou misturar amor com educação, gerando uma semente que germinou e segue como o seu maior legado: a educação libertadora.

E como santo de casa não faz milagre (especialmente no Brasil), Paulo Freire precisou ser celebrado e homenageado mundo afora para poder ser (apenas em 2012) alçado à posição de patrono da educação brasileira. E mesmo depois de todo o impacto positivo de seu trabalho, suas palavras atravessam o tempo e encontram resistência por abalarem as estruturas das elites que tentam manter seu status quo.   E isso se dá porque o seu método é eficiente não apenas por permitir com que a alfabetização de adultos se dê em 45 horas, mas principalmente por fazê-los entender que há outras (e muitas) melhores opções ao oprimido que não a de ser opressor.

Como outrora dissera o próprio Paulo Freire:

“Não basta saber ler que ‘Eva viu a uva’. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho.”

Com isso, Freire ousou acordar esse gigante em coma (o povo) lançando sobre ele gotas raras de uma substância que empodera, que destrói a “aprendizagem por repetição” e que volta a tornar diferentes aqueles que nunca foram iguais.

A natureza criativa, contestadora, inquieta e inteligente da educação que pulsava nas veias de Paulo Freire segue em seus livros, nas ideias de professores que amam o que fazem e nos estudantes que compreendem o poder transformador da educação. Este sentimento é ainda mais necessário nos tempos atuais de miséria, fome e de degradação da condição humana agravada por uma pandemia sem precedentes.

É inaceitável que em pleno século XXI tenhamos faíscas de fascismo escondidos sob um falso nacionalismo que insistentemente alimenta miséria, fome e morte, sob as custas da manutenção de uma escravidão que nunca foi extirpada de nosso território.

Se a história insiste em nos colocar no papel de uma nação descoberta, que seja Paulo Freire o verdadeiro descobridor do caminho para a dignidade de um povo.

Viva a educação libertadora.

Viva Paulo Freire.

A coluna Ciência Nordestina é atualizada às terças-feiras. Leia, opine, compartilhe e curta. Estamos no Facebook (nossaciencia), Twitter (nossaciencia), Instagram (nossaciencia) e temos email (redacao@nossaciencia.com.br). Use a hashtag CiênciaNordestina.

Leia o texto anterior: Tempo, tempo, tempo

Helinando Oliveira é Professor da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) desde 2004 e coordenador do Laboratório de Espectroscopia de Impedância e Materiais Orgânicos (LEIMO).

Helinando Oliveira

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Site desenvolvido pela Interativa Digital