Pela preservação da galinha caipira Pesquisa

quarta-feira, 25 abril 2018
Pesquisa analisou galinhas Canela-Preta. (Foto: Marcos Jacob de O. Almeida).

Pesquisadores do Piauí buscam entender a origem das espécies nativas brasileiras. Objetivo é reduzir efeitos da introdução de animais exóticos no nordeste brasileiro

Entender a origem e a formação das galinhas nativas brasileiras e com isso contribuir para minimizar os efeitos da introdução de animais estrangeiros não adaptados ao Nordeste brasileiro. Com esses objetivos, pesquisadores da Universidade Federal do Piauí (UFPI) estão estudando Galinhas Caipiras Brasileiras e Ibero-Americanas. O trabalho pode contribuir para aumentar a produção dessas aves, consequentemente aumentar a renda e emprego, e se consolidar, cada vez mais, como uma atividade fixadora do homem no campo. O processo de crescimento, por exemplo, é um fenômeno complexo, e conhecer o desempenho das aves é importante para o produtor planejar o desenvolvimento da atividade.

De acordo com o estudo, galinhas caipiras possuem qualidade diferenciada na sua carne, como textura, coloração mais acentuada e sabor incomparável, o que agrada uma grande parcela da população. Mas, mesmo com esses atributos, pouco tem sido feito para melhorar geneticamente essas aves sem perder as qualidades descritas.

A coordenação da pesquisa é do professor Lindenberg Sarmento, do Departamento de Zootecnia, do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Piauí, em parceria com várias instituições, a nível local (Embrapa Meio-Norte, Colégio Técnico de Teresina (CTT), Fundação Dom Edilberto e Fundação Santa Ângela), nacional (Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucurí – UFVJM e Universidade do Estadual Sudoeste da Bahia – UESB) e internacional (Universidade de Córdoba – UCO/Espanha).

Galinhas Canela-Preta do Colégio Técnico de Teresina (CTT) (Foto: José Lindenberg R. Sarmento).

As galinhas domésticas foram introduzidas no Brasil em meados do ano de 1.500 pelos colonizadores. A partir daí multiplicaram-se de forma aleatória e deram origem a diferentes raças e ou materiais genéticos, que formaram as galinhas localmente adaptadas às nossas condições ambientais. Galinhas da raça nativa Canela-Preta, status reconhecido por alguns produtores e técnicos, foram encontradas, em 2008, pelo Dr. Marcos Jacob de O. Almeida no município de Curral Novo – PI e municípios vizinhos. A proposta inicial do projeto foi montar um núcleo de multiplicação e seleção fenotípica para padrões recomendados pelos produtores, de modo a aumentar a frequência de animais com características fenotípicas de interesse dos criadores. Esse trabalho inicial resultou em uma ampla difusão desse material genético, que hoje se encontra em mais de trinta municípios do estado do Piauí e em mais de dez municípios do estado do Maranhão.

Zootecnista e doutoranda da UFPI, Débora Carvalho.

A pesquisa

As galinhas nativas possuem um papel importante para o pequeno produtor, pois são animais com baixa dependência de insumos e pouca necessidade de tecnologias de custo elevado. Um dos eixos da pesquisa realizada na Universidade, em parceria com as demais instituições, é relacionado a agricultura familiar. Para a Zootecnista e doutoranda da UFPI, Débora Carvalho, “a importância de se trabalhar com galinhas caipiras de raças nativas, também denominadas de raças crioulas, brasileiras e/ou locais, é principalmente por causa dos pequenos agricultores”. A inclusão de linhagens melhoradas de forma desordenada fez com que o material genético das galinhas locais fosse se perdendo, surgindo a necessidade de trabalhar com o resgate, purificação e multiplicação desses animais, para inseri-los novamente no meio rural.

O trabalho de reintrodução da galinha caipira da raça Canela-Preta em suas localidades de origem é feito principalmente pela Embrapa Meio-Norte, via projeto “Produtores do Futuro”, que atua como um projeto guarda-chuva, ou seja, envolve vários outros projetos, dentre eles, o de resgate e reintrodução das raças crioulas em suas localidades de origem e entre elas, as galinhas nativas.

“Temos incentivado os produtores a produzir em escala, a exemplo aqui no Piauí, temos em Nazária um produtor que tem 2 mil matrizes. Em Oeiras temos uma associação de 27 produtores, um desses está com 600 matrizes e atendendo as crescentes demandas que aparecem “, explica a pesquisadora.

Perfil fenotípico de machos e fêmeas da raça Canela-Preta (Foto: Débora A. Carvalho).

Caracterização fenotípica e genética da galinha Canela-Preta

O primeiro passo foi descrever fenotipicamente e geneticamente as aves criadas nos municípios de Teresina, Oeiras e de Queimada Nova, municípios que possuem os criatórios multiplicadores da Canela-Preta. Assim, as primeiras informações de padrão fenotípico foram apresentadas à comunidade científica por meio da publicação do artigo científico “Padrão racial fenotípico de galinhas brasileiras da raça Canela-Preta” no periódico Archivos de Zootecnia da Universidade de Córdoba, na Espanha. “Para caracterizar as aves observam-se 16 características, a partir das quais foram descritos os padrões encontrados nos principais criatórios, como: plumagem, com predominância da preta, e variações nas cores dourada, branca e vermelha na plumagem do pescoço; a coloração dos olhos; da barbela; da crista; dentre outros parâmetros; e a forma do corpo em geral foram fatores observados no trabalho de caracterização”, comentou Débora Carvalho.

A caracterização genética das galinhas foi realizada com base em análises do DNA nuclear e foi possível verificar que os animais criados nos três principais criatórios apresentaram baixa diferenciação genética, ou seja, semelhança genética, apontando que esse material genético, de certa forma, foi preservado nas localidades estudadas. Acredita-se que uma das principais hipóteses para esses achados deve-se a fatos relatados pelos criados, como a capacidade adaptativa dessas aves, as quais são criadas no semiárido piauiense e em regiões mais úmidas, como na grande Teresina.

Novidades da pesquisa

A partir da caracterização genética e fenotípica das galinhas, surgiram demandas para demais trabalhos de pesquisa. Então a nível nacional além das galinhas da raça Canela-Preta, foram inclusas aves das raças nativas Peloco e Caneluda do Catolé do Estado da Bahia.

Professor Lindenberg Sarmento.

A proposta é estudar esses animais a nível de DNA mitocondrial. Os pesquisadores poderão observar e dizer a origem das galinhas nativas brasileiras e inferir sobre sua formação, a partir da distância genética entre elas. O DNA mitocondrial é conservado, o que permite avaliar e saber quem é o ancestral comum de milhões de anos atrás.

“Além de buscar elucidar as origens e a formação da galinha Canela-Preta, os pesquisadores já estão realizando outras pesquisas, como determinar o padrão de crescimento dessas aves e quantificar algumas características de carcaça, ainda desconhecidos no meio científico, o que permitirá ajustes de manejo e melhor planejamento para o desenvolvimento desta importante atividade de pesquisa realizada em parceria com o Colégio Técnico de Teresina, que tem sido parceiro forte do projeto. Paralelo, pesquisas para determinar o padrão e composição bromatologica dos ovos das galinhas Canela-Preta estão em andamento, esses trabalhos envolvem alunos de graduação, mestrado e doutorado da UFPI”, explica o Prof. Lindenberg Sarmento.

Acredita-se que as aves que temos vieram da Península Ibérica, Portugal e Espanha. Os pesquisadores realizarão um estudo genético com as raças de galinhas brasileiras e com as galinhas da Península Ibérica (Portugal e Espanha) para certificar a origem das aves, assim como a formação dessas aves ao longo dos tempos. Além disso, será realizado um estudo genético com essas galinhas e de outros países ibero-americanos (México, Chile, Guatemala, Colômbia e Itália) em nível de DNA nuclear, onde são encontradas informações genéticas do pai e da mãe.

 

 

Fonte: Ascom UFPI

2 respostas para “Pela preservação da galinha caipira”

  1. Leonara kesia disse:

    Boa rte gostaria de comprar umas galinhas dess canela preta. Moro em são luis maranhao. E não conheço ninguem aqui que venda.

    Poderia informar produtor aqui no maranhao.

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