Pint of Science Ciência Nordestina

terça-feira, 1 maio 2018

O Pint of Science tem por objetivo levar a ciência para fora dos centros de pesquisa, exibindo-a de uma maneira mais lúdica, divertida e emocionante

A ideia surgiu em 2012, na Inglaterra, quando pesquisadores da Imperial College London realizaram um evento em que pessoas com Alzheimer, Parkinson e outras doenças foram convidadas a conhecer as pesquisas que estavam sendo realizadas dentro dos laboratórios. Já no ano seguinte surgiu o Pint of Science, que teve por objetivo levar a ciência para fora dos centros de pesquisa, exibindo-a de uma maneira mais lúdica, divertida e emocionante.

E desde então este evento vem tomando proporções cada vez mais animadoras. Em 2018 deve ocorrer simultaneamente em 21 países entre os dias 14 e 16 de maio. Estas serão, portanto, as datas em quem os pesquisadores pularão os muros em direção à sociedade e invadirão bares e restaurantes para fazer um movimento sincronizado de divulgação científica. Várias cidades no Brasil já aderiram e continuam a aderir a esta iniciativa louvável. Vamos então aos bares e restaurantes de 14 a 16 de maio falar de ciência para a sociedade. Cerveja para quem é de cerveja e água com gás para quem não é. Uma pergunta, no entanto, se faz necessária neste ponto: o pint of science é suficiente? Evidentemente que não. A população brasileira (em especial o povo pobre) não frequenta rotineiramente restaurantes e bares. A ciência encontrará nos bares a classe média. E a divulgação para ela é também muito relevante. Só que não é suficiente, assim como exposições em shopping centers também encontram um público selecionado e já favorecido monetariamente. A ciência nos tempos de apocalipse financeiro precisa ser muito mais inclusiva.

Além do pint of science precisamos de projetos como a ciência na feira livre, ciência nas praças, ciência nos bairros, ciência na escola pública, ciência nos postos de saúde, ciência em todo lugar. Que legal se pudéssemos falar de Big Bang nas igrejas, ir aos bares falar de alcoolismo, dar palestras nas assembleias legislativas: fazer uma invasão científica! Dar voz aos que estão reclusos nos laboratórios, vendo o fomento à pesquisa desmoronar enquanto todo o planeta pensa em futebol e reality show. Todavia sabemos que a caminhada começa pelo primeiro passo. E este primeiro passo pode ser em qualquer lugar, pois de lá é que se parte para todos os outros.

E mais importante de tudo isso é saber que as palavras não são apenas sons lançados aos quatro cantos. A ciência é um sonho compartilhado e que se mantem aceso como uma faísca. Faísca que pode apagar a qualquer instante ou mesmo incendiar muita coisa se encontrar o combustível correto. E a ciência vive da chama que emana dos sonhos. Não vem da palavra fria que está guardada nos artigos, mas da emoção que sobrevoa a ambiente durante uma palestra e encontra um jovem que decide desafiar a natureza. E assim surgem novos gigantes que montam nos ombros de outros gigantes para continuar desvendando o mistério de tudo.

Um brinde de ciência para todos nós. E que esta ação não seja apenas um encontro anual em ambiente climatizado com chopp gelado. Que ele também esteja no chão de terra batido, onde as oportunidades são escassas e o combustível é abundante, fruto do sonho de quem luta por um futuro melhor.

Divulgação científica sem fronteiras, já!

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Leia o texto anterior: A física das bactérias 

Helinando Oliveira

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