A física das bactérias Ciência Nordestina

terça-feira, 24 abril 2018

Por que um físico teria interesse em um tema da microbiologia? Descubra os motivos lendo o texto da coluna Ciência Nordestina de hoje

A simetria esférica é para os físicos tão atraente quanto a bola é para o jogador de futebol. Assim, tudo termina sendo uma esfera “em primeira aproximação”: um elefante, uma girafa, um tubarão. No entanto, existem coisas bem pequenas que são quase esferas perfeitas. Para elas, os problemas mais simples do eletromagnetismo são totalmente viáveis:

“Considere uma casca esférica dielétrica carregada (carga -Q) com raio interno d e raio externo D. Para este sistema, calcule:”

Para um físico, esta seria a definição de uma bactéria. Perceba que estamos resumindo toda a camada de peptidoglicano a uma casca e desprezando todo o intrincado sistema biológico (com seus ciclos de Krebs e tudo mais).

Feita a primeira (e grosseira) aproximação, o leitor pode perguntar: por que um físico teria interesse em um tema da microbiologia?

A resposta pode ser simples: em nosso corpo há mais bactérias do que células! Ou seja, nós somos mais elas do que nós! E mais importante que isso: estamos perdendo a batalha para as bactérias, que vem se tornando progressivamente multirresistentes. Embora a escalada delas seja intensa, a indústria farmacêutica tem demonstrado impotência frente à produção de medicamentos: nos últimos 15 anos, apenas 7 antibióticos novos chegaram ao mercado. E estes seres altamente inteligentes sabem onde causar o maior prejuízo à espécie humana: nas UTIs dos hospitais. Lá, a contaminação por bactérias multirresistentes é caso de óbito.

Então, com ou sem ciclo de Krebs, sendo ou não esférica, é missão de toda a ciência combater estes organismos. Esta é uma questão de manutenção da espécie humana.

E o que nós físicos temos a oferecer são armas anãs: as nanoarmas. Pequenas flechas (nanotubos de carbono), bombas de efeito moral (nanopartículas de prata), venenos naturais (extratos de sementes como a moringa) e todo um arsenal de soluções que pode garantir um pouco mais de tempo para nossa espécie na terra. Perceba que não são antibióticos, mas sim verdadeiras estratégias físicas par acelerar as bactérias em direção às lanças e arremessar bombas pelos furos de suas paredes. Assim, as bactérias terão seus ciclos interrompidos e o crescimento inibido.

A abordagem alternativa da física e da ciência dos materiais tem por foco o controle na propagação destes organismos. Ao impedir o crescimento em superfícies, temos a possibilidade de reduzir os índices de contaminação. E este processo passa pela produção de superfícies inteligentes, toalhas bactericidas e roupas com atividade induzida por campo elétrico e por luz. Por sinal, a luz do sol é grande aliada do ser humano no planeta, e pode, por processos fotocatalíticos ser de grande valia nesta luta contra as todas poderosas bactérias.

Ao final, certamente seremos derrotados por elas. Estão em maior número e conhecem este planeta muito mais que nós. Elas já plantaram espiãs em todos os cantos e estão prontas para declarar a grande e devastadora terceira guerra mundial. O que nos resta é reunir toda a nanotecnologia que está disponível e levantar muros, que façam estes bravos soldados retornarem. Precisamos manter a vida no planeta por mais algumas gerações.

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Leia o texto anterior: Textrônica: A eletrônica das passarelas

Helinando Oliveira

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