Brasil tem que escolher se será produtor ou apenas consumidor do desenvolvimento global Políticas de C&T

segunda-feira, 16 abril 2018
Encontro em Recife faz parte da série Políticas públicas de ciência, tecnologia e inovação para o Brasil que queremos. Foto: Luana França

No diálogo da ciência com a inovação, a adoção de uma política de CT&I com base industrial produtiva é fundamental para o desenvolvimento do país

Analisando a inovação nos cenários nacional e internacional, Carlos Gadelha, da Fiocruz-RJ, afirmou que há uma corrida por inovação em determinados países, causando uma assimetria internacional. “A China lidera, é o país que mais cresce no patenteamento. Já o Brasil tem uma capacidade frágil nesse setor, e ainda importa muita tecnologia”, disse.

O doutor em Economia pelo Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) abriu o primeiro painel intitulado “Inovação e Ciência”, no 1º Seminário Temático da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) que escolheu o nordeste para começar uma série de encontros nacionais. O seminário teve como tema central “Ciência, Tecnologia e Inovação” e foi realizado nesta sexta (13), no auditório da Fiocruz, dentro do campus da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A equipe do Nossa Ciência esteve em Recife e acompanhou o evento.

Diálogo

De acordo com Coordenador e líder do Grupo de Pesquisa sobre Complexo Econômico-Industrial e Inovação em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a queda do Produto Interno Bruto (PIB) nos últimos anos vem afetando o desenvolvimento do Brasil. “Se não tivermos uma política de CT&I com base industrial produtiva não avançaremos. Isso é decisivo para o desenvolvimento do país. Mas acho fundamental dialogarmos com a sociedade brasileira.”

Seminário de Recife foi o primeiro dos oito que a SBPC vai realizar. Foto: Luana França

Diante dos desafios nacionais como controlar o desmatamento, tirar do caos a mobilidade urbana e promover o desenvolvimento regional, o pesquisador do Departamento de Administração e Planejamento em Saúde da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca da Fiocruz indagou: “Qual a base de CT&I para reduzirmos as desigualdades da sociedade?” Segundo ele, enquanto houve um incremento no número de doutores no nordeste, a taxa de inovação das empresas da região continua baixa. “Vamos ser apenas consumidores ou participantes do desenvolvimento global?”, provocou Gadelha.

Sobre o momento político e o posicionamento da comunidade científica, Gadelha foi enfático. “Além de lamentar o que está ocorrendo temos que ter ousadia de propor uma nova abordagem. Ciência, tecnologia, inovação e bem estar social como alavancas para sair da crise econômica”, apontou.

Se não tivermos uma política de CT&I com base industrial produtiva não avançaremos – Carlos Gadelha, Fiocruz

Cumprir a Constituição

O caminho, segundo ele, está na própria Constituição Federal. O artigo 218 traz que “o Estado promoverá e incentivará o desenvolvimento científico, a pesquisa, a capacitação científica e tecnológica e a inovação.” E especifica no segundo parágrafo que “a pesquisa tecnológica voltar-se-á preponderantemente para a solução dos problemas brasileiros e para o desenvolvimento do sistema produtivo nacional e regional”.

Sayonara Moreira apontou entraves brasileiros em CT&I. Foto: Luana França

Sayonara Moreira da Silva responde pela área de Relações Institucionais com foco em Inovação da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei). Na Associação é responsável por estimular as cooperações tecnológicas a nível nacional e global e lidera o Grupo de Trabalho que discute a Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação.

Burocracia, falta de planejamento a longo prazo e de políticas públicas que incentivem o desenvolvimento de CT&I foram alguns dos entraves brasileiros apontados por Sayonara Moreira. “Para participar da globalização é importante pensar como ser pioneiro, além de mudar nossa realidade nacional para entrarmos na sociedade do conhecimento. Se não temos planejamento a longo prazo, dificilmente vamos evoluir em CT&I”, afirmou.

Esse encontro em Recife faz parte da série “Políticas públicas de ciência, tecnologia e inovação para o Brasil que queremos”, num total de oito seminários programados pela SBPC. A partir das demandas e resultados do encontro, será elaborado um documento intitulado “Carta de Pernambuco”. De acordo com a direção da entidade, este documento será norteador para o fortalecimento da luta em favor da ciência brasileira e será encaminhado aos candidatos à presidência da república.

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Edna Ferreira e Mônica Costa

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