Para o orientador da equipe, professor João Damásio (à esquerda), a conquista demonstra o incentivo ao empreendedorismo e à inovação dentro da universidade.

Conquista de registro de software no INPI reforça cultura de inovação na Ufersa

A startup SerTão Devs, criada por estudantes da Universidade Federal Rural do Semi-Árido, Campus Angicos, na Região do Sertão Central do Rio Grande do Norte e incubada pela Ineagro – Cabugi, incubadora da referida Universidade, conquistou o registro de software do sistema Groa (Gerenciamento Rural de Orgânicos Automatizados) junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A certificação garante proteção intelectual à tecnologia desenvolvida para auxiliar produtores rurais na gestão dos processos relacionados à certificação orgânica.

O Groa nasceu a partir de uma ideia desenvolvida durante uma competição de inovação e empreendedorismo voltada para o agronegócio. Após vencer o desafio, a equipe foi contemplada com o Edital Startup Nordeste 2024, recebendo recursos para transformar a proposta em uma solução tecnológica.

Este é o segundo registro de propriedade intelectual obtido pela SerTão Devs. No semestre passado, a equipe também teve reconhecido o jogo UfersaWS, desenvolvido com ambientação inspirada no campus da Ufersa em Angicos. O jogo tem como objetivo disseminar o empreendedorismo e a Inovação, acontecia por meio de perguntas e desafios lançados durante a aventura que se passa no ambiente virtual do Campus. O jogo surgiu a partir da necessidade de promover o tema em eventos de inovação e extensão universitária.

Ideias que saem do papel

Para o orientador da equipe, a conquista demonstra como o incentivo ao empreendedorismo e à inovação dentro da universidade vem gerando resultados concretos.

Para o professor João Paulo Damásio, professor adjunto da Ufersa Angicos, gerente executivo da Ineagro-Cabugi e orientador da equipe, a conquista demonstra como o incentivo ao empreendedorismo e à inovação dentro da universidade vem gerando resultados concretos, transformando projetos acadêmicos em tecnologias com potencial de impacto para a sociedade.

Para a coordenadora do Ecossistema Local de Inovação do Agro do Sebrae-RN, Maria Luísa Fontes, esse é exatamente o resultado que se espera ao criar um ambiente em que ideias saiam do papel, evoluam para soluções concretas e gerem desenvolvimento para o Rio Grande do Norte.

Da sala de aula ao sonho de transformar o sertão

“A conquista do registro da patente representa muito mais do que um reconhecimento técnico. Ela comprova que, quando aproximamos universidade, produtores, empresas e instituições em torno de desafios reais do agronegócio, conseguimos transformar conhecimento em inovação com potencial de gerar impacto para toda a sociedade”, considerou a representante do Sebrae-RN.

Fontes acrescenta que, “ver uma solução concebida durante o Desafio do EliAgro alcançar esse nível de maturidade nos mostra que estamos no caminho certo e reforça a importância de investir continuamente na conexão entre ciência, empreendedorismo e o setor produtivo”. A coordenadora do Sebrae adianta que o edital para o EliAgro 2026 deve ser lançado ainda nesta primeira quinzena de julho.

Inovação e empreendedorismo no EliAgro

O incentivo ao empreendedorismo universitário tem colocado a Ufersa, Campus Angicos, em posição de destaque no ecossistema de inovação do Rio Grande do Norte. Nos últimos dois anos, equipes formadas por estudantes da instituição conquistaram resultados expressivos em competições voltadas ao desenvolvimento de soluções inovadoras para o agronegócio, consolidando uma trajetória que ultrapassa as premiações e se traduz na criação de startups, projetos tecnológicos e fortalecimento da cultura empreendedora. Antes mesmo da criação do EliAgro, a Ufersa Angicos já se destacava na competição Agro Nordeste 2023, considerada a precursora do atual desafio.

Naquele ano, uma equipe formada por estudantes do curso de Sistemas de Informação, orientada pelo professor Damásio, conquistou o primeiro lugar com a startup Sertão Deves. A vitória representou o início de uma série de conquistas que ajudaram a impulsionar a participação da universidade no ecossistema de inovação do Estado.

Segundo o professor, a conquista de 2023 abriu portas para uma participação mais ativa da Ufersa na construção do Ecossistema Local de Inovação para o Agronegócio (EliAgro), iniciativa que reúne universidades, instituições públicas, empresários e produtores rurais na busca por soluções inovadoras para o setor.

“A partir daquela conquista fui convidado para integrar a comissão de criação do ecossistema e, posteriormente, passei a atuar de forma efetiva organização do Desafio EliAgro. Hoje coordeno ações voltadas para educação empreendedora, startups e inovação”, destaca o professor Damásio.

Sequência de conquistas

Os resultados obtidos pela Ufersa Angicos demonstram a consolidação dessa política de incentivo ao empreendedorismo. Em 2024, na primeira edição do Desafio EliAgro, o campus conquistou o primeiro e o segundo lugares. A equipe campeã era formada por estudantes do curso de Ciência e Tecnologia, enquanto a segunda colocação ficou com alunas do curso de Engenharia de Produção.

Todos os integrantes da equipe reunidos, com os prêmios em mãos, celebrando essa importante conquista no Desafio Eli Agro. (Foto: equipe de fotografia do Desafio EliAgro.)

Já em 2025, a Ufersa voltou ao pódio com o terceiro lugar, enquanto o primeiro lugar foi conquistado por uma equipe da UFRN, sob orientação de integrante da Startup da Ufersa Angicos, o discente Vinicius Sátiro que tinha irmão dele como participante pela UFRN. A presença constante entre os melhores projetos evidencia, segundo Damásio, a maturidade do trabalho desenvolvido dentro da universidade. “A Ufersa vem estando no pódio nos últimos anos. Isso mostra que estamos formando estudantes preparados para transformar conhecimento em soluções para problemas reais”, afirma.

Chegando ao mercado

Mais do que conquistar troféus, as competições têm servido como porta de entrada para a criação de startups e novas tecnologias. A SerTão Devs, nascida durante o Agro Nordeste 2023, tornou-se uma startup incubada pela Ineagro-Cabugi, incubadora da Ufersa gerenciada por Sales.

A empresa desenvolveu o Groa, solução tecnológica destinada a facilitar a organização documental necessária para obtenção da certificação orgânica por produtores rurais. O sistema foi contemplado no edital Startup Nordeste 2024, recebendo recursos para o desenvolvimento da plataforma, que recentemente recebeu Carta Patente, pelo INPE. Outro projeto desenvolvido pela equipe é o Germina Lab, laboratório portátil de baixo custo que utiliza inteligência artificial e sensores para analisar a germinação de sementes e a qualidade de solos. A proposta também foi premiada durante o evento Conexão ODS.

Outra startup incubada pela Ineagro-Cabugi, a Potiguadev, também conquistou destaque com a CIB (Composteira Inteligente de Baixo Custo), uma composteira inteligente que utiliza inteligência artificial para otimizar o processo de compostagem de resíduos orgânicos.

Para o professor de administração Damásio, os resultados demonstram que investir no empreendedorismo dentro da universidade gera impactos que vão muito além das competições. Além de estimular a criatividade, os desafios fortalecem a autoestima dos estudantes, ampliam suas experiências profissionais e contribuem para a formação de novos líderes em inovação.

Damásio considera a conquista dos discentes de Angicos como exemplo concreto dos ensinamentos de Paulo Freire aplicado a educação empreendedora. “Educação não transforma o mundo. Educação muda pessoas. Pessoas transformam o mundo”, citou as palavras do Patrono da Educação complementando: “Educar por meio da Inovação Muda a vida das pessoas que contribui para um novo mundo, a partir dos impactos em sua região”. Para ele, o conhecimento está sendo compartilhado. “Os estudantes que participam passam a orientar outros grupos e isso fortalece todo o ecossistema de inovação”, pontuou.

O professor acredita que o trabalho desenvolvido desde 2023 também estimulou uma mudança na cultura acadêmica da Ufersa Angicos. A incubadora passou a atrair novos professores interessados em inovação e empreendedorismo, enquanto um número cada vez maior de estudantes participa de hackathons, maratonas tecnológicas e programas de criação de startups.

Como reflexo desse crescimento, somente em 2026 a Ufersa Angicos registrou 56 estudantes inscritos em nova competição nacional de inovação, contribuindo para que o Rio Grande do Norte alcançasse a segunda colocação no país em número de participantes. Para ele, esse cenário confirma o papel estratégico das universidades na formação de profissionais capazes de transformar conhecimento científico em soluções para os desafios da sociedade. “Quando estimulamos o empreendedorismo dentro da universidade, estamos formando profissionais mais preparados, criando oportunidades para os estudantes e contribuindo diretamente para o desenvolvimento regional por meio da inovação”, conclui.. (Todas as fotos foram cedidas pelos entrevistados)

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