(Foto: Ribamar Neto / UFC Informa)

Terpenos encontrados em plantas mostram potencial contra alterações celulares ligadas ao envelhecimento vascular

O aumento da expectativa de vida na população brasileira e mundial é resultante de múltiplos fatores, mas também tem crescido os estudos para melhorar a vida das pessoas que envelhecem. Um estudo de pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba, em colaboração com pesquisadores da Universidade de Utah, nos Estados Unidos identificou compostos naturais com potencial para retardar danos associados ao envelhecimento em células dos vasos sanguíneos.

Publicado na revista científica Molecules, o artigo informa que o envelhecimento é um importante fator de risco para doenças crônicas, incluindo doenças cardiovasculares, localizado nas células endoteliais a vulnerabilidade ​​ao estresse relacionado à idade. O estudo avaliou 20 terpenos — substâncias encontradas em óleos essenciais de plantas aromáticas — e apontou três delas como as mais promissoras: citral, terpinolene e farnesol.

“O trabalho sugere que esses compostos podem, no futuro, contribuir para o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas voltadas ao envelhecimento saudável e à prevenção de doenças cardiovasculares relacionadas à idade, como hipertensão, aterosclerose e insuficiência vascular”, explica Isac Almeida de Medeiros, coordenador da pesquisa e professor do Programa de Pós-Graduação em Produtos Naturais e Sintéticos Bioativos (PPGPN), em matéria publicada no Portal da UFPB.

O caminho no laboratório

Para realizar o estudo, os pesquisadores utilizaram células retiradas da aorta de ratos, um tipo de célula importante para entender como o envelhecimento afeta os vasos sanguíneos. Em laboratório, eles criaram uma condição que imita o envelhecimento celular ao expor essas células à D-galactose, uma substância usada em pesquisas para induzir sinais de envelhecimento, como aumento do estresse oxidativo, redução da capacidade de sobrevivência e maior presença de células senescentes, células que perderam parte de sua função e passam a apresentar alterações associadas ao envelhecimento.

Depois, os pesquisadores testaram 20 terpenos, compostos naturais encontrados principalmente em plantas e óleos essenciais, em diferentes concentrações. O objetivo foi descobrir quais dessas moléculas poderiam reduzir os efeitos do envelhecimento celular. Para isso, eles analisaram três aspectos: a quantidade de células com sinais de envelhecimento, os níveis de estresse oxidativo e a capacidade das células de permanecerem vivas e funcionais.

Segundo Medeiros, a pesquisa fortalece a narrativa de que a biodiversidade brasileira é um laboratório vivo para inovação biomédica – e reforça o papel da UFPB nesse processo. “O impacto deste trabalho para a ciência desenvolvida no Brasil é relevante e abrange diversas frentes, sobretudo por associar compostos naturais abundantes no Nordeste do país a uma das áreas mais estratégicas da biomedicina contemporânea: o envelhecimento celular e dos vasos sanguíneos e a prevenção de enfermidades crônicas”. O professor também integra o Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Inovação Tecnológica em Medicamentos.

Achados

Os resultados mostraram que vários terpenos apresentaram efeitos positivos, reduzindo sinais associados ao envelhecimento celular e diminuindo o estresse oxidativo. Entre todos os compostos avaliados, os três que mais se destacaram, apresentaram benefícios simultâneos nos três critérios analisados, ajudando a reduzir alterações relacionadas à senescência e preservando a viabilidade das células.

O estudo também revelou um resultado que chamou atenção dos pesquisadores: os compostos 1R-(-)-myrtenol e trans-caryophyllene apresentaram um comportamento que pode indicar uma possível ação seletiva sobre células envelhecidas. Em outras palavras, eles reduziram características de células senescentes sem causar o mesmo efeito em células saudáveis. Essa possibilidade, chamada de ação senolítica, ainda precisa ser confirmada em novos estudos.

Futuros possíveis

Segundo os autores, a pesquisa reforça o potencial dos compostos naturais como fonte de novas estratégias para estudar e combater alterações associadas ao envelhecimento, especialmente aquelas que afetam a saúde dos vasos sanguíneos. O trabalho também destaca a importância da biodiversidade brasileira como fonte de moléculas com potencial interesse para a biomedicina e para o desenvolvimento de novas tecnologias em saúde.

Os pesquisadores ressaltam, porém, que os resultados ainda representam uma etapa inicial. Os testes foram realizados em células cultivadas em laboratório, e serão necessários novos estudos para verificar se esses efeitos também acontecem em organismos vivos e entender melhor como esses compostos atuam dentro das células. As próximas etapas incluem testes com modelos mais próximos da realidade humana, incluindo pesquisas com células humanas. (Com informações da UFPB)

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