Carros voadores produzidos no Brasil Ciência Nordestina

terça-feira, 6 abril 2021

Embraer dá exemplo de inovação e empreendedorismo ao lançar um protótipo de veículo elétrico de decolagem e pouso vertical

Esta história começa lá atrás, quando o Marechal-do-ar Casimiro Montenegro Filho sonhou com a criação de um grande centro de pesquisa no Brasil. Ele idealizou trazer o Massachusetts Institute of Technology (MIT) para o interior do Brasil. E assim nasceu o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). E deste centro que forma engenheiros aeronáuticos cresceram muitos outros sonhos: do anseio por aeronaves genuinamente brasileiras surgiu o Bandeirante. Dele, a necessidade de uma fábrica de aviões: nasce assim a Embraer. E a empresa cresceu, chamando a atenção até mesmo de Neil deGrasse.

E como fruto da Embraer surgiu um braço de negócios chamado EmbraerX, que por sua vez gerou uma spin-off chamada EVE que pretende revolucionar o futuro da mobilidade urbana no planeta. A ideia é de produzir veículos elétricos de decolagem e pouso vertical (eVTOL) que possam transportar pessoas de forma completamente autônoma, o que passa a ser também um grande desafio para a internet em nosso país.

O protótipo apresentado no final do mês de março foi um veículo de dez hélices (e que muito se parece a um drone gigante). No futuro, este meio de transporte deve desafogar vários gargalos nos já saturados centros urbanos, viabilizando um escape para a mobilidade urbana.

Desta inovação há muito o que se comentar: aqui ressaltaremos a importância da inovação tecnológica como eixo prioritário para formação de nossos estudantes.

Há um viés muito intenso no país relativamente à formação de pessoal (em nível de pós-graduação) para o perfil de pesquisador acadêmico. Nossos estudantes têm internalizado uma necessidade extrema de converter conhecimento em artigo. E na métrica de quanto mais melhor. No entanto, nem tudo o que se faz deve ser transformado em artigo científico. A criação de spin-offs e a concepção de produtos tecnológicos são mais importantes que os artigos na engenharia, tendo em vista a necessidade iminente de geração de empregos que o país precisa.

A Embraer dá o exemplo. Resta às outras instituições de pesquisa segui-la. Mais patentes e produtos tecnológicos significam mais divisas e mais empregos. E para isso, é fundamental formar estudantes com iniciativa para a inovação tecnológica e ousadia para criar novas empresas em um mercado de altíssimo risco.

Vídeo de lançamento do EVE: https://www.youtube.com/watch?v=iV4oUt3R1_s

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Leia o texto anterior: Laboratórios de pesquisa um ano depois

Helinando Oliveira é Professor da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) desde 2004 e coordenador do Laboratório de Espectroscopia de Impedância e Materiais Orgânicos (LEIMO).

Helinando Oliveira

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