Montando o time Empreendedorismo Inovador

quarta-feira, 6 março 2019

Identificar perfis de sócios e encontrar boas parcerias é fundamental para a implementação de startups

Saindo um pouco mais da esfera de produtos ou serviços necessários para que uma startup exista, aquilo que também denominamos no meio empreendedor de proposta de valor , adentraremos no cerne das startups, na parte mais subjetiva do empreendimento, procurando formas de aglutinar e fazer com que “rodem como um time” – e não apenas como um grupo – os elementos mais complexos de quaisquer sistemas já criados: o elemento humano! Sim, as pessoas que criam a ordem imaginada  necessária para gerar uma startup (ou qualquer outra coisa), são responsáveis pelo funcionamento ou encaminhamento ao caixão de sonhos que geralmente tem início em devaneios solitários mas que, ao serem compartilhados com outras “almas gêmeas” ou ingênuas, ganham uma potência exponencial que faz com que se transformem em unicórnios (nome dado às startups que atingem valores bilionários na bolsa) ou em caixas de Dorflex. E, como mostram as estatísticas mais recentes, a escolha errada do time é citada como a terceira maior causa de morte das startups. Por isso o título deste artigo.

Portanto, a atração correta dos “elementos” que farão as ideias andarem por conta própria é o início de tudo. Errar nessa hora é certeza de criar desafetos ou de pavimentar o caminho para um tribunal. A “química” tem de rolar corretamente na hora de achar os “gênios” compatíveis. Afinal, como diria um amigo nosso: “Doido tem imã”! Atraia seus complementos.

As cinco maiores causas apontadas para a quebra de startups, em formulário múltipla-escolha. A formação do time só perde para um produto com demanda inexistente (parece óbvio) e a falta de “caixa” na hora do sprint. (CB Insights newsletter. 2018)

Nenhum “startupeiro” é uma ilha

“Certo, concordo, tenho que ter um time…”, pois, estatisticamente, ou melhor, cabalisticamente falando, ninguém consegue tocar uma empresa sozinho. Mesmo aqueles que se acham os “reis da cocada preta” e montam as empresas que pensam ser “a última moda em Paris” as Startups Virtuais, na verdade, estão definitivamente pilotando o Canvas à distância, formado por aquelas nove seções descritas em Modelo de Negócio versus Modelo de Ideia. Ou seja, todos os recursos já estão instalados, e o startupeiro “demiurgo”, criador de mundos, apenas opera um marketplace, uma espécie de plataforma de legos “linkada” pela grande rede (ainda vou falar disso em edições futuras) conectados para desenvolver um serviço imaginado por ele com proposta de valor única. É assim que operam Airbnb, Magazine Luiza, Submarino, Waze, Uber, Amazon, Buscapé, ifood, Easy Taxi etc., ancorando tudo em uma poderosa logística. Voltando ao Canvas, observem que todas estas empresas citadas acionam atividades e recursos-chave pré-existentes. A parte de baixo do Canvas, Receita e Estrutura de Custos, são entregues as agora já bem difundidas Fintech. A própria inPACTA está ajudando a erigir uma, a Ezydoo. O demiurgo, quero dizer, o startupeiro-mor teve apenas que definir uma proposta de valor diferenciada. O que a Amazon faz? Conecta pessoas a utensílios. E a ifood? A mesma coisa, só que neste caso os utensílios são comestíveis. Airbnb? ipsi literis, só que os “utensílios” aqui são fixos, por isso recebem o nome de imóveis (muito engraçado)!

E mesmo que você queira partir para criar uma startup virtual, terá de ter, no mínimo, um copiloto. Convencidos então? Vamos à segunda parte: como encontrar os primeiros apoiadores de minha(s) ideia(s), aqueles que provavelmente serão os sócios-fundadores da startup? E, em caso de extremo egocentrismo, como achar os parceiros apoiadores de uma plataforma que eu queira gerenciar?

 Comendo um kilo de sal juntos: dicas para montar um time!

Uma forma muito comum para criar parcerias é utilizar o procedimento bilateral com handshake full-duplex e controle anti-colisão de comunicação aleatória, também conhecido como conversa! “Causei” num foi não? Mas, falando sério, esse é o primeiro caminho para angariar sócios, uma boa conversa sem pré-concepções e censuras. E nesses quase 20 anos de docência, acompanhando a formação de grupos em sala de aula, de trabalho e em startups, comecei a perceber um padrão. Descrevo aqui minhas observações:

  • O velho e bom brainstorming. Ao se criar um grupo, observe se este é animado e se a quantidade de “sims” supera os “nãos”. Um grupo que está por agregar algo a uma ideia, não pode ser reticente. Outra inclinação: as pessoas que foram convidadas para este brainstorming-embrião têm de reconhecer o dono da ideia como o Facilitador natural. Do contrário, perde-se o foco original e começam a aparecer outros “donos”. Não que as ideias não possam ser boas, mas não serão mais as suas. Sua “startup” já perdeu para a concorrência.
  • Passado o teste da tempestade de ideias, e vendo que não sobrou mais “sal” na mesa, chegou a hora de identificar o perfil de cada sobrevivente. Para essa estratificação, bebo da fonte do livro de Fernando de Bes e Philip Kotler, “A Bíblia da Inovação”, no qual eles definem as funções básicas capazes de levarem uma inovação à frente. Curioso é que vão de A a F. Já definimos a característica do Facilitador. Vamos às outras cinco:
    • Ativador: tem por função iniciar o processo de inovação propriamente. O timing para o lançamento da ideia também está entre os 10 fatores de quebra de uma startup.
    • Buscador: sua principal atividade é “buscar” novas informações e trazê-las ao grupo, para que reforcem o que foi defendido ou “pivotem” a ideia a tempo.
    • Criador: aquele perfil responsável por criar novas aplicações e possibilidades. Quanto mais ideias, maiores as chances de uma startup.
    • Desenvolvedor: partindo dos planos e algoritmos do grupo, são aqueles responsáveis pela elaboração dos protótipos funcionais. Um ideia não materializada é apenas um sonho.
    • Executor: são os encarregados de transformar o protótipo em MVP. Ou seja: botam a testa na rua e o produto no Mercado.
  • Identificados os perfis, é hora de definir os objetivos de curto e médio prazo assim como métricas da startup. Para isso, um Canvas é a resposta!

De posse de uma boa ideia, pode-se resumir as etapas em: conversas sem barreiras; convencimento consensual; identificação de perfis complementares e, finalmente, desenho em Canvas dos objetivos ancorados em números. Bem facinho, né não?.

É bom lembrar que apenas foram sugeridos perfis, não o número de pessoas. Podem-se acumular, por exemplos, até 02 perfis compatíveis por pessoa. Mas não todos. É muito difícil ser executor e desenvolvedor, por exemplo, ou buscador e facilitador simultaneamente, já que são funções externa e interna ao grupo, respectivamente. Ou você coordena ou executa. Esta tentativa de querer absorver o papel de um “super-ser” é responsável por fazer muitas startups morrerem na praia. Essas dicas valem para ambas incursões, as startups físicas ou virtuais.

Existem sites especializados em encontrar parcerias para implementação de startups. O Socioteca e o FounderDating são exemplos. Achei em pesquisa aleatória na Web. Não sei o grau de efetividade. Outra forma também, além de consultar seu vizinho de carteira, é ir a feiras, innovation parties, hackathons etc.

E outra dica de ouro pessoal: quem contribuiu com uma vírgula em seu projeto merece o crédito. No Brasil não se patenteiam ideias, mas o registro autoral sim. Dessa forma, recomendo sempre que, tendo uma boa ideia, visitem o site da HoodId  do “cumpadi” Valdecir Fontes e registrem lá seus rabiscos, desenhos, músicas etc.

A sociedade é como um casamento. O registro da ideia servirá para definir a partilha dos bens e quem vai ficar visitando a “criança” nos fins de semana, caso a coisa parta para o litígio. Portanto, bons amigos, bons contratos!

Refefrências:

Ezydoo (https://www.linkedin.com/in/ezydoo/)

HoodId (www.hoodid.com)

A coluna Empreendedorismo Inovador é atualizada às quartas-feiras. Gostou da coluna? Do assunto? Quer sugerir algum tema? Queremos saber sua opinião. Estamos no Facebook (nossaciencia), Twitter (nossaciencia), Instagram (nossaciencia) e temos email (redacao@nossaciencia.com.br). Use a hashtag #EmpreendedorismoInovador.

Leia a edição anterior: Incubadoras universitárias: indo na contramão

Gláucio Brandão é gerente executivo da inPACTA, incubadora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Gláucio Brandão

3 respostas para “Montando o time”

  1. Herculana T. dos Santos disse:

    As dicas para montar um time são excelentes,Ótima leitura!

  2. Renato disse:

    A tal da sociedade é extremamente difícil , por outro lado , tb extremamente necessária. Desafio permanente!

  3. Jorge Vieira disse:

    Salve mestre, excelente pauta! Fica claro que, sem um bom time, não haverá caminho para identificar, desenvolver e implementar uma boa ideia. Show!

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