Transformar a crise em oportunidade Especial

segunda-feira, 8 julho 2019
Foto Cleo Kozerski/Fapern

O sentimento de que a esperança não está sufocada pela constatação da grave crise que afeta a ciência brasileira foi a mensagem dos pesquisadores no Nossa Ciência em Debate

“Quero parabenizar o Nossa Ciência por que aqueles objetivos que vocês se dão, a vocação que vocês construíram como jornalistas de divulgação científica, tem sido muito importante para nós, tem dado visibilidade para o trabalho que nós, pesquisadores e cientistas, estamos fazendo nas nossas diversas instituições.” Com esse depoimento, durante o Nossa Ciência em Debate, o professor Alípio de Souza Filho, do Programa de Pós-Graduação em Filosofia, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), fez um reconhecimento do trabalho realizado pelo portal em prol da divulgação da produção cientifica nordestina.

Realizado pelo Nossa Ciência e pela Fundação de Apoio à Pesquisa do estado (Fapern), o evento em homenagem ao Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador Científico reuniu cerca de 30 professores e pesquisadores da UFRN, do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) e da Fapern, em Natal, neste dia 8.

Crise/Crie

Para a professora Ângela Paiva, ex-reitora da UFRN, em sua palestra, ao contrário de significar um estado de paralisia, o momento de crise que o país atravessa deve ser ressaltar a criatividade para se encontrar saídas. “A frase que diz olhe para a palavra crise e exclua o s não é clichê, é uma obrigação para todos nós”, recomendou.

Apresentando números que mostram um contínuo decréscimo nos investimentos públicos na área de ciência, tecnologia e inovação desde 2014, a ex-reitora lembrou que agora em 2019 há possibilidades reais das universidades não conseguirem funcionar depois do mês de setembro. “O orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações que era de R$ 4 bilhões, foi contingenciado e agora é pouco mais de R$ 2 bilhões. Essa é a realidade”, afirmou.

Gilton Sampaio (Foto Cleo Koserski/Fapern)

“O Governo do Estado está empenhado em mudar a imagem e a realidade da Fapern. A quitação das pendências financeiras e burocráticas vai nos permitir lançar editais e estabelecer convênios com agências nacionais e até internacionais”, respondeu o presidente da instituição, Gilton Sampaio, às críticas de alguns pesquisadores presentes. A Fapern foi instituição parceira.

Mão dupla

A via de mão dupla entre o fortalecimento do Nossa Ciência como canal de comunicação especializado e a compreensão por parte da sociedade acerca da importância do trabalho dos pesquisadores foi ressaltado por diversos presentes. Renan Medeiros, do Departamento de Física Teórica e Experimental, da UFRN, e que integra o seletíssimo grupo de oito pesquisadores no Rio Grande do Norte que ocupa o mais alto nível na classificação do CNPq – 1A – afirmou que a sociedade precisa compreender que ciência e desenvolvimento humano são indissociáveis. E para isso, ele entende que é obrigatório que se faça ciência de qualidade “ciência grande”, em suas palavras.

John Fontenele, UFRN e SBPC (Foto Yassonara/Una Casa)

Último diretor do antigo Cefet e primeiro reitor do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), o professor Belchior de Oliveira Rocha direcionou sua argumentação para a necessidade da comunidade científica oferecer um discurso em contraponto ao obscurantismo que toma conta do país. A mesma direção teve a fala de John Fontenele Araújo, que é professor titular do Programa de Pós-Graduação em Psicobiologia da UFRN. Fontenele lamentou a descontinuidade do programa de educação científica, realizado pelo Instituto Santos Dumont, em Macaíba, na região Metropolitana de Natal. O convênio cancelado pelo Ministério da Educação, em 2017, pôs fim ao programa desenvolvido sob a supervisão do neurocientista Miguel Nicolelis e que iria atender a mulheres grávidas e crianças desde a infância até a adolescência.  “Essa onda obscurantista anticientífica não está só no Brasil, ela atinge outras partes do mundo. Um dos 10 grandes desafios da Organização Mundial de Saúde (OMS) é combater os movimentos antivacinas, por incrível que pareça”, afirmou o Secretário Regional da SBPC no estado.

Leia também: Homo cientificus quer pensar o Rio Grande do Norte

Mônica Costa

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