Jovens talentos nordestinos

segunda-feira, 21 novembro 2016

Estudantes do nordeste se destacam em competições nacionais e internacionais de Computação. Emerson e Gustavo, da UFCG, conquistaram medalha de ouro e prata na Olimpíada Brasileira de Informática

O lugar mais alto no pódio da Olimpíada Brasileira de Informática (OBI) já está se acostumando à presença de estudantes do nordeste. Na edição deste ano da competição, as medalhas de ouro e prata, na classificação geral, foram conquistadas por alunos da Paraíba e do Rio Grande do Norte. Na modalidade universitária, os vencedores foram os alunos Emerson Lucena (ouro) e Gustavo Ribeiro (prata), do Curso de Ciência da Computação da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e Victor Agnez Lima (ouro) do Bacharelado em Tecnologia da Informação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Mas afinal qual o segredo desse sucesso? No caso da Paraíba, as conquistas são resultado do Projeto Olímpico organizado pelo Curso de Ciência da Computação da UFCG. De acordo com o professor Rohit Gheyi, coordenador do projeto, o objetivo é despertar nos alunos do Ensino Fundamental e Médio o interesse em Computação através de desafios motivadores, além de permitir aos participantes conhecer as possibilidades de atuação na área.

O Projeto Olímpico da UFCG consiste em duas atividades principais: organizar a Olimpíada Paraibana de Informática e organizar cursos para alunos do Ensino Fundamental ao superior. “Os nossos instrutores ministram aulas e organizam competições semanalmente para ajudar os competidores a se prepararem para a OBI e a maratona da Sociedade Brasileira de Computação”, explica Gheyi.

Incentivo à competição

O professor aponta que é importante incentivar a participação dos estudantes em competições. “Nós ficamos muito felizes com os resultados de Emerson e Gustavo. Eles estudaram muito. É mais um indicador da qualidade do curso de Ciência da Computação da UFCG. As competições ajudam a complementar a formação pessoal e profissional dos alunos. Eles aprendem e se superam através de uma brincadeira. Alguns deles que participaram dessas competições, estão trabalhando hoje em grandes empresas do Vale do Silício”, revela.

A Paraíba conquistou 22 prêmios na OBI 2016 considerando todas as categorias destinadas aos alunos do Ensino Fundamental e Médio. Foram três medalhas de ouro, dez medalhas de prata, quatro medalhas de bronze e cinco prêmios de honra ao mérito. A UFCG é hexacampeã na competição com ouro em 2010, 2011, 2012, 2014, 2015, 2016, e foi também quatro vezes primeiro colocado geral (2012, 2014, 2015, 2016), duas medalhas de prata (2013, 2016), três medalhas de bronze (2012, 2014, 2015), e duas honra ao mérito (2013, 2014) na OBI com os alunos do curso de Ciência da Computação.

Dever cumprido

Com 18 anos e uma indisfarçável sensação de dever cumprido, o estudante Emerson Lucena diz que a medalha é um sinal de que todo o esforço valeu a pena. “Como a prova é anual, os alunos se preparam por muito tempo e nunca sabem se estudaram o suficiente. O resultado também é uma vitória para o nordeste, já que nesse ano, na modalidade Universitária, os três melhores classificados da olimpíada foram dessa região”, comemora.

A competição foi composta por duas provas, onde os alunos resolviam problemas de natureza computacional. As soluções eram construídas em uma linguagem de programação aceita e eram enviadas para correção, onde também se levou em conta a rapidez da solução. “O segredo é sempre estudar e vencer a desmotivação. O aprendizado de programação para competições é um caminho de longo prazo, onde o estudante muitas vezes não consegue enxergar a sua evolução e por isso muitos desistem por não conseguir uma medalha nos primeiros anos. Mas, se ele se manter consciente de que está aprendendo a cada dia e comparar o seu desempenho nos anos anteriores, vai se manter motivado e conseguirá bons resultados”, ensina Emerson que cursa o 2º período de Ciências da Computação na UFCG.

Aprender e ensinar

Emerson sempre gostou de competir e assim foi descoberto pelo professor Gheyi. “Na escola, participava de olimpíadas de todas as áreas, até que o professor Rohit me convidou para cursos intensivos na UFCG, enquanto eu ainda estava no ensino fundamental. Sem a orientação dele, não conseguiria ter chegado até aqui. É por isso que cresce minha gratidão pelo Projeto Olímpico da minha universidade e pelo ato de ensinar computação aos jovens – pois se foi assim que fui introduzido ao mundo da computação, sinto-me na obrigação de repassar o ato para os próximos”, planeja.

Apesar de estar no início do curso, Emerson já projeta algumas possibilidades para seu Trabalho de Conclusão de Curso e o primeiro emprego. “Penso em um TCC sobre o pensamento computacional nas crianças. Ou seja, em como despertar nas crianças uma linha de raciocínio e de resolução de problemas tal qual um computador teria – sem elas sequer terem contato com uma máquina. Eu ainda tenho dúvidas quanto ao meu futuro. Gostaria de trabalhar no Vale do Silício, mas ao mesmo tempo me interesso em fazer uma pós-graduação. Mas, como ainda estou no começo do curso, procuro não me preocupar muito com isso”, revela.

Google, Microsoft, Facebook e muito mais

Gustavo Ribeiro tem 19 anos e também cursa o 2º período de Ciência da Computação na UFCG. Para ele, ter conquistado a medalha de prata na OBI é a confirmação de estar no caminho certo. “Não foi dessa vez que consegui a medalha de ouro, consegui a prata e o 4º lugar geral. Para tal, resolvi cerca de 80% da prova de maneira correta. Sinto que o esforço e empenho impostos na programação competitiva estão rendendo frutos”, destaca. Para ele, o segredo para ser campeão é praticar. “A prática leva a perfeição, essa talvez seja a frase que descreve com poucas palavras o que é a programação competitiva, ou melhor, como obter sucesso nesse tipo de competição”, resume.

A motivação para participar da competição veio dos professores e de outros competidores revela Gustavo. Ainda quando estudava no curso técnico integrado em informática pelo Instituto Federal da Paraíba (IFPB – Campus Campina Grande) ele conheceu o professor Marcelo Siqueira que o iniciou no mundo da programação e o incentivou a participar das competições. “Após obter boas posições em competições locais e regionais fui convidado para participar de cursos intensivos aqui na UFCG pelo professor Rohit Gheyi, onde conheci grandes competidores. Felipe Abella, Árysson Cavalcanti e Mateus Dantas são alguns do muitos exemplos”, afirma.

Para Gustavo o futuro está cheio de oportunidades. Ele continuará treinando forte buscando participar de competições internacionais como a ACM-ICPC.(a sigla em inglês para International Collegiate Programming Contest). “E como consequência da participação nesses grandes eventos, pretendo obter oportunidades de estágio e emprego em grandes empresas como Google, Microsoft, Facebook e muitas outras”, arrisca.

Veterano

Victor Agnez Lima tem 18 anos, cursa o Bacharelado em Tecnologia da Informação, na UFRN, e foi outro vitorioso estudante nordestino na OBI. Ele conquistou uma medalha de ouro e ficou em segundo lugar no quadro geral da olimpíada. As competições de programação, em especial, são muito desafiadoras no sentido do raciocínio lógico, e é isso que ele considera o diferencial. “Mesmo podendo não exigir muito em termos de conteúdos, creio que são necessários a prática e o interesse nesse tipo de desafio”, comenta.

Ele é praticamente um veterano nesse tipo de competição, pois começou a participar da OBI, por incentivo da escola, em 2009, quando tinha 11 anos e cursava o Ensino Fundamental. “Para aquele nível, as provas eram apenas de raciocínio lógico, com cerca de 30 questões objetivas. Em 2012, obtive ouro na competição, e fui convidado para a Semana Olímpica na Unicamp, onde tive os primeiros contatos com programação e logo comecei a me interessar pela área”, relembra.

De 2013 a 2015, Victor continuou participando da OBI, e obteve três medalhas de prata, e ainda foi convidado, por mais três anos, para a Semana Olímpica da Unicamp. Em 2015, entrou no Programa Talento Metrópole, do Instituto Metrópole Digital (IMD/UFRN), que visa desenvolver talentos na área de Tecnologia da Informação. “Ao mostrar meu interesse pelas competições, tive muito apoio para me preparar para elas. Como resultado, no final de 2015, fui selecionado pela OBI para participar da CIIC (Competição Ibero-americana de Informática por Correspondência) em 2016, e conquistei o 1º lugar. Se esforçar ao máximo para resolver os desafios propostos por essas competições e ver os resultados dos estudos são muito motivantes para continuar participando delas”, revela.

Victor orgulha-se do destaque que o nordeste tem tido nessa Olimpíada em especial. Para ele, é muito gratificante poder fazer parte dessas conquistas, por isso pretende continuar participandode competições de programação ao longo do curso no IMD/UFRN. “Acredito que mais importante que a premiação é o que a competição proporciona, pois estimula o raciocínio lógico e a dedicação para atingir o objetivo. Com esse resultado, tive a ótima sensação de dever cumprido”, afirma.

Confira o quadro geral das medalhas da OBI.

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