
Quem é atento já percebeu que o preço da guerra já chegou aos nossos bolsos; vide o recente aumento dos combustíveis. Aliás, é sobre ele que todo o conflito mundial gira. Diante da sua escassez, o mundo teria duas possibilidades centrais: investir em fontes renováveis de energia (o mais racional) ou tocar fogo em tudo e todos até que a última gota seja drenada. No passado, um imperador (Nero) teria ordenado que ateassem fogo em Roma para erguer uma nova cidade tal qual a sua imagem. E assim, ele seguiu tocando sua lira enquanto sua cidade ardia em chamas.
Os tempos são outros e a história se repete em escalas globais. O discurso é um remendo, levantado pela imprensa, que pouco convence a quem lê para além das manchetes dos noticiários. O primeiro exemplo foi o ocorrido na Faixa de Gaza, que foi destruída para servir de plano para um resort. A Venezuela veio em seguida e, logo depois, o Irã. O que há de comum nestas guerras? A libertação dos povos ou o acesso ao petróleo? Todavia sofreram as crianças palestinas que morreram de fome e as 175 crianças iranianas mortas em um único ataque.
Diz um velho ditado que, na luta entre a maré e o rochedo que morre é o siri. E os inocentes continuam pagando por pautas que não são suas. E é ainda mais doloroso perceber o viés dos veículos de informação que naturalizam a captura de um presidente, o assassinato de outro. A soberania é uma ferramenta caríssima que os países independentes adquiriram para resolver os seus próprios problemas, do seu jeito, sem interferências externas.
A revolução pernambucana de 06 de março de 1817 já levantava ideais republicanos e a insatisfação com a dominação de outro país. Porém, em pleno século XXI presenciamos um país que tenta comprar outro ou pratica ações bélicas sob a bandeira de defender democracias alheias.
Embora o poeta já tenha dito que via um museu de grandes novidades, o tempo não para, e o fogo que veio das madeiras nas ruas de Roma agora está distribuído em ogivas nucleares por todo o planeta. Nunca vivemos tão próximos a um conflito nuclear generalizado. E por ironia do destino, o petróleo, mesmo com dias contados, ainda tem poder suficiente para destruir todas as formas de vida no planeta.
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Helinando Oliveira é físico, professor titular da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) e atualmente é vice presidente da Academia Pernambucana de Ciência










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