Elétrons e fótons não envelhecem e continuam saudáveis a correr por aí.

Mecânica quântica e cura quântica

Chegamos à décima quinta semana seguida da temática “Mecânica Quântica” em nossa coluna e é também a hora de nos despedirmos do tema com um até breve. Ao longo destas semanas, partimos de conceitos fundamentais como o elétron, sua interação com poços de potencial, o tunelamento quântico, emaranhamento e superposição. E uma série que se propôs a ser puramente conceitual se rendeu às equações, como a equação de Schrödinger e à matemática dos qubits, fundamentais para a computação quântica.

Vimos ainda que as tecnologias quânticas também viabilizam sensores com limites de detecção cada vez menores e em sistemas para telecomunicações cada vez mais efetivos. E neste sentido, maior eficiência é esperada na medicina com diagnóstico precoce de doenças. Este será o modo com que a mecânica quântica afetará nossa saúde. Cura quântica, o conceito como se vende pelas redes precisa ser visto com muito cuidado. O que se busca curar? No mundo quântico ou fora dele?

Quem não lembra dos assentos magnéticos para carros? Eles venderam bastante com a promessa de equilíbrio, melhor circulação do sangue, desintoxicação… Só que o ferro que está na hemoglobina não é ferromagnético. Ou seja, o sangue não responde aos imãs espalhados no assento. E isso basta. O resto é efeito placebo. Imagine o que aconteceria com o paciente com sangue ferromagnético ao fazer um exame de ressonância magnética… Melhor nem pensar.

O problema da mecânica quântica é que ela é tão complicada que as pessoas são tentadas a se apossar de seu poder para vender livros, acessórios e quinquilharias. É o famoso: “já que ninguém entende bem…” Por isso mesmo, a postura com relação a qualquer produto ou solução que acompanhe o nome “quântico” é a de desconfiar. Não há como ativar elétrons por pensamentos ou paralisar fótons com controle mental. Isso acontece nas telas de cinema, e só.

Por fim, e não menos importante, fica o registro do ciclo virtuoso das ciências exatas. Primeiro vem a matemática, depois a física teórica com seus modelos, em seguida a física experimental com a constatação dos fenômenos em laboratórios e o então surge o caminho para a engenharia transformar em produtos todo esse trabalho de décadas, pois quântica pode ser tudo, menos simples. E se há a cura quântica, ela deve servir para elétrons e fótons, apenas. A saúde deles, no entanto, está ótima. Eles não envelhecem e continuam saudáveis a correr por aí. O que você achou da série? Deixe seus comentários. Eles serão importantes para a próxima série que se aproxima: o eletromagnetismo. Nela, a quântica fará uma participação no final, com a eletrodinâmica quântica.

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Helinando Oliveira é físico, professor titular da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) e atualmente é vice presidente da Academia Pernambucana de Ciência