Pesquisadores e o coordenador do grupo, Rodrigo Pegado (ao fundo, de camisa vermelha).

Grupo de pesquisa da UFRN une ciência e inovação para melhorar a qualidade de vida de pacientes

A ciência produzida na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) tem ampliado fronteiras na busca por soluções para problemas de saúde que afetam milhares de brasileiros. Um dos exemplos dessa iniciativa é o Grupo de Pesquisa em Neuromodulação Clínica (NeuroClin), vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da UFRN, que reúne pesquisadores de diferentes áreas para desenvolver estudos voltados ao tratamento da dor crônica, transtornos de humor e outras condições de grande impacto social.

Sob a coordenação de Rodrigo Pegado, professor Associado III do curso de Fisioterapia e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da UFRN, o NeuroClin nasceu da necessidade de institucionalizar e fortalecer uma rede de pesquisadores que já trabalhavam em torno de uma mesma linha científica. Hoje, consolidado na plataforma do CNPq, o grupo reúne professores da UFRN, do Instituto Santos Dumont (ISD) e estudantes de pós-graduação envolvidos em pesquisas que aproximam o conhecimento científico das necessidades reais da população. “O grupo trabalha numa perspectiva translacional da ciência, em que diferentes áreas do conhecimento dialogam para resolver problemas concretos da saúde”, explica o pesquisador.

Essa característica interdisciplinar é um dos diferenciais do NeuroClin. O grupo conta com mais de 15 integrantes, entre fisioterapeutas, psicólogos, enfermeiros, médicos, profissionais de educação física e bioquímicos, permitindo que as pesquisas sejam desenvolvidas sob diferentes olhares científicos.

Pesquisas voltadas para problemas que afetam milhares de pessoas

O foco principal das investigações é a dor crônica, considerada atualmente um importante problema de saúde pública. Entre as condições estudadas estão fibromialgia, artralgia decorrente da chikungunya, endometriose, dores pélvicas, neuropatia diabética e pacientes renais crônicos submetidos à hemodiálise que convivem diariamente com dores persistentes. Além dessas enfermidades, o grupo também desenvolve pesquisas envolvendo ansiedade, depressão e crianças com transtorno do espectro autista (TEA).

Atualmente, os estudos concentram-se principalmente em pessoas com dor crônica após chikungunya, mulheres com endometriose, pacientes com depressão e crianças com TEA. Para Pegado cada pesquisa segue rigorosamente critérios científicos de inclusão e exclusão, definidos previamente e aprovados pelo Comitê de Ética da UFRN. “Esses critérios são fundamentais porque diferenciam uma pesquisa científica do atendimento clínico convencional realizado em hospitais, clínicas ou unidades de saúde”, destaca.

Neuromodulação: tecnologia segura para reduzir dor e melhorar qualidade de vida

Grande parte das pesquisas utiliza a neuromodulação não invasiva, considerada atualmente um dos recursos terapêuticos mais promissores da fisioterapia. A técnica consiste na aplicação de dois eletrodos posicionados em regiões específicas da cabeça. Quando o equipamento é acionado, uma microcorrente elétrica de baixa intensidade percorre esses eletrodos, promovendo alterações na atividade cerebral relacionadas ao controle da dor.

Grupo estuda dor crônica, a depressão, a endometriose, as sequelas da chikungunya e outras condições que ainda desafiam a medicina contemporânea.

De acordo com o coordenador do grupo, trata-se de um procedimento seguro e que vem apresentando resultados bastante positivos. “Além da redução da dor, observamos melhora da ansiedade, da fadiga e da função física dos participantes”, afirma. Os benefícios já foram demonstrados em pesquisas envolvendo mulheres com dismenorreia primária, pacientes com fibromialgia, pessoas que desenvolveram dores persistentes após a chikungunya e pacientes renais em tratamento por hemodiálise. Os resultados vêm sendo publicados em periódicos científicos internacionais e têm recebido boa aceitação da comunidade científica.

Parceria com a sociedade

Outro aspecto que diferencia o NeuroClin é a participação direta da população nas pesquisas. As pessoas que apresentam alguma das condições estudadas podem se voluntariar para participar dos projetos. O primeiro contato é feito por meio do WhatsApp do grupo (84 99902-9922). Em seguida, os pesquisadores realizam uma entrevista de triagem no Departamento de Fisioterapia da UFRN para verificar se o voluntário atende aos critérios científicos do estudo.

Atualmente, o grupo está recrutando participantes para pesquisas envolvendo transtorno do espectro autista, chikungunya, endometriose e depressão. Segundo o professor Pegado, a participação voluntária é essencial para que novas evidências científicas possam ser produzidas e, futuramente, incorporadas à prática clínica.

Ciência potiguar com reconhecimento internacional

Embora desenvolva pesquisas voltadas principalmente para problemas de saúde que atingem a população brasileira, especialmente doenças negligenciadas e de grande incidência regional, o NeuroClin mantém uma forte inserção internacional. Além das parcerias nacionais com o Instituto Santos Dumont (ISD) e a Universidade Federal da Paraíba, o grupo desenvolve colaboração científica com a Universidade de Harvard.

Graças a financiamentos obtidos junto ao CNPq e à Fapern, quatro integrantes do NeuroClin realizaram intercâmbio científico na universidade norte-americana, enquanto dois pesquisadores de Harvard estiveram na UFRN participando de atividades acadêmicas e de pesquisa.

A cooperação internacional também permitiu que três estudantes realizassem estágio de visita técnica relacionado aos estudos sobre chikungunya, ampliando a troca de conhecimentos entre pesquisadores brasileiros e estrangeiros.

O NeuroClin é ligado ao Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da UFRN, avaliado com nota máxima pela Capes, o Grupo tem como missão produzir conhecimento científico capaz de gerar benefícios concretos para a sociedade. Mais do que desenvolver novas tecnologias terapêuticas, o grupo busca compreender problemas de saúde frequentemente negligenciados, integrando diferentes áreas do conhecimento para oferecer evidências que possam melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

Ao publicar seus resultados em revistas científicas internacionais, o NeuroClin contribui para ampliar a visibilidade da ciência produzida no Rio Grande do Norte, mostrando que pesquisas realizadas na UFRN têm potencial para impactar tanto a comunidade científica quanto a vida de milhares de pessoas que convivem diariamente com a dor crônica, a depressão, a endometriose, as sequelas da chikungunya e outras condições que ainda desafiam a medicina contemporânea.

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