Ilhas de estrelas #HojeÉDiadeCiência

sexta-feira, 24 maio 2019
Galáxia de Andrômeda.

O Sistema Solar inteiro é apenas um grãozinho de areia de uma imensa ilha que chamamos de Via Láctea – a nossa galáxia

Talvez pela grandeza e pelos seus muitos mistérios, freqüentemente comparamos o mar com o céu estrelado. No primeiro já navegamos por todos os lados e em muitas profundidades, embora ainda saibamos pouco e haja muito que aprender. Mas é o mar de estrelas da noite o supremo mistério.

Estamos começando a dominar a arte e técnica de sua navegação, que chamamos Astronáutica, e ainda que consideremos tudo o que já foi feito, nem sequer ensaiamos nosso primeiro mergulho nesse oceano cósmico.

Galáxias

Ao comparar o firmamento com o mar, o Sistema Solar inteiro é apenas um grãozinho de areia de uma imensa ilha que chamamos de Via Láctea – a nossa galáxia.

Galáxias são como gigantescas ilhas de estrelas. Centenas de bilhões delas, mantidas juntas graças a força gravitacional entre cada estrela, cada nebulosa de gás e poeira. E existem bilhões de ilhas de estrelas como a Via Láctea. Muitas se aglomeram em verdadeiros arquipélagos celestiais.

Uma bela galáxia na vizinhança, por exemplo, chama-se Andrômeda. Via Láctea e Andrômeda são duas das maiores ilhas de estrelas num arquipélago que denominamos Grupo Local, com mais umas 14 ou 15 “ilhotas” – não temos certeza do número. Galáxias também se adensam em superaglomerados, que são quase continentes de estrelas.

Porém, muito mais que os ¾ de mares que recobrem a Terra, o predomínio do mar celestial é absoluto. E ao contrário dos oceanos de água salgada, cheios de vida, o espaço em si é um grande vazio. Um meio e também um obstáculo para chegarmos onde realmente interessa – às estrelas e seus mundos.

Gravidade e movimento

Os planetas giram ao redor de estrelas, as estrelas se agrupam em galáxias e as galáxias em aglomerados – tudo por causa da força da gravidade. A gravidade depende da massa dos corpos que estão interagindo (quanto mais massa, maior a força) e da distância entre eles (quanto mais longe, menor a força).

Foi Isaac Newton quem descobriu que não é a maça que cai da árvore, é a maça e a Terra que se atraem. É claro que sendo o planeta muito mais massivo que a fruta, o deslocamento mais significativo ficará por conta da maça. Mas no caso da Terra e da Lua o puxão mútuo é considerável.

Para evitar que todo o universo se transforme numa massa compacta – com todos caindo sobre todos – existe o movimento orbital. Enquanto a Terra se move a 30 quilômetros por segundo em volta do Sol, por exemplo, não há perigo de colisão.

Mas se esse movimento, essa revolução orbital diminuir muito, então Terra e Lua serão aos poucos atraídos pelo astro-rei, numa espiral da morte. Se, ao contrário, a velocidade aumentar, nos afastaremos do Sol até cair nas invisíveis garras gravitacionais de um planeta distante mais massivo, ou de outra estrela.

Foto: Nasa

Colisões

Galáxia é simplesmente o nome grego para Via Láctea. O termo vem de galakt, que significa leite. Via Láctea significa “caminho de leite”. Parece estranho, mas se você tiver a oportunidade de olhar o céu noturno num local afastado das luzes da cidade, vai ter a impressão que uma parte do céu realmente contém uma estrada esbranquiçada.

Desde os primeiros estudos, as galáxias vêm sendo classificadas de acordo com sua forma. As mais famosas são as espirais. A Via Láctea é espiral. A princípio foi difícil percebermos que estávamos dentro de uma galáxia, e mais difícil ainda – mas não impossível – identificarmos sua forma.

A distância média entre as galáxias em um aglomerado é da ordem de seu próprio diâmetro. E assim tão próximas, seu movimento orbital não é suficiente para mantê-las separadas. Daí as colisões serem frequentes.

Duas galáxias que interagem podem atravessar uma a outra sem haver nenhuma colisão de estrelas. É como no encontro de dois cardumes gigantes. A forma original de cada galáxia, no entanto, pode se desfazer completamente. E se uma delas for muito maior que a outra, a menor praticamente desaparece. É o chamado canibalismo galáctico.

Agora mesmo a Via Láctea está canibalizando duas pequenas galáxias próximas, mostrando como o oceano cósmico também pode ser revolto. Esse, é claro, é um processo muito lento, absurdamente maior que uma vida. Por isso – e como a nossa civilização mal saiu do berço terrestre, nem percebemos direito. Mas navegar é preciso!

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Leia o texto anterior: O edifício inacabado da Ciência

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José Roberto Costa

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