A pesquisa Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura, do IBGE, mostra o tamanho da atividade econômica associada às florestas. (Foto: Rafa Neddermeyer / Agência Brasil)

Produção florestal brasileira bate recorde enquanto biodiversidade exige mais recursos

Enquanto a produção florestal brasileira alcançou o recorde de R$ 47,9 bilhões em 2025, o mundo enfrenta uma dificuldade de outra dimensão: seriam necessários mais US$ 1,317 trilhão por ano, além dos recursos já aplicados, para enfrentar a crise da biodiversidade. Os dois números, divulgados nesta quinta-feira (24), colocam em evidência uma mesma questão por perspectivas diferentes: o peso econômico das florestas e a necessidade de ampliar os recursos destinados à conservação da natureza.

O déficit global de financiamento da biodiversidade quase dobrou desde 2020, passando de US$ 711 bilhões para US$ 1,317 trilhão por ano, segundo o Financing Nature 2026, elaborado pela The Nature Conservancy (TNC), World Wildlife Fund (WWF) e Paulson Institute. O relatório sustenta que o desafio não se resume a encontrar novas fontes de recursos. Os autores defendem também mudanças na forma como governos, empresas e investidores direcionam o capital, já que, para cada dólar investido na proteção da natureza, outros US$ 30 são destinados a atividades consideradas prejudiciais à natureza.

Financiamento da biodiversidade exige mudança nos fluxos de capital

Entre as medidas apresentadas pelo relatório estão a reforma de subsídios prejudiciais à natureza, a ampliação de iniciativas financeiras que já demonstraram resultados e a criação de condições políticas e de mercado capazes de atrair mais investimentos. O documento também propõe que a natureza seja tratada como um ativo essencial para a economia, e não como um recurso gratuito. Entre os mecanismos citados estão mercados de carbono e os Acordos de Financiamento de Projetos para Permanência, além da atuação de bancos multilaterais e instituições de desenvolvimento na mobilização de capital.

O documento também propõe que a natureza seja tratada como um ativo essencial para a economia, e não como um recurso gratuito. (Foto: Rafa Neddermeyer Agência BR)

No Brasil, a pesquisa Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra o tamanho da atividade econômica associada às florestas. O valor de R$ 47,9 bilhões registrado em 2025 representa crescimento de 6,7% em relação a 2024 e é o maior já registrado pela pesquisa. O levantamento reúne tanto a produção de áreas plantadas, classificada como silvicultura, quanto produtos obtidos da vegetação natural por meio do extrativismo. Os valores são correntes, ou seja, não foram corrigidos pela inflação.

Silvicultura concentra a maior parte do valor da produção florestal

A maior parte desse resultado veio das florestas plantadas. A silvicultura respondeu por R$ 41 bilhões, alta de 8,6% em um ano, enquanto a extração vegetal somou R$ 6,9 bilhões, com queda de 3,1%. Desde 2019, o valor econômico da silvicultura cresceu 165%, segundo o IBGE. Em 2025, as florestas plantadas ocupavam 10,4 milhões de hectares, área equivalente, em dimensão aproximada, ao território de Pernambuco.

O eucalipto representa 78,6% das áreas florestais plantadas e está diretamente associado ao desempenho da indústria de celulose. O Brasil produziu 22,2 milhões de toneladas de celulose em 2025, 12,7% acima do volume de 2024, mantendo a posição de maior produtor e exportador mundial desde 2022. Apesar do aumento da produção, o valor das exportações caiu 3,9%, para US$ 10,2 bilhões, em um cenário influenciado pelo excesso de oferta global, pela desaceleração do consumo chinês e pela valorização do real.

Valor econômico das florestas amplia debate sobre conservação

Os dados ajudam a dimensionar uma questão central para a economia do futuro: as florestas têm valor econômico, mas também desempenham funções ambientais que não aparecem integralmente nas estatísticas de produção. O Financing Nature 2026 propõe justamente aproximar essas duas dimensões, direcionando investimentos para atividades capazes de conservar a biodiversidade e, ao mesmo tempo, sustentar a economia. No caso brasileiro, em que a atividade florestal movimentou R$ 47,9 bilhões em um único ano, o debate sobre como financiar a conservação ganha uma dimensão que ultrapassa a proteção ambiental e alcança também a própria estratégia de desenvolvimento econômico.