Com o encerramento do ciclo eleitoral no Rio Grande do Norte e a consequente formação de um novo governo, emerge uma reflexão inadiável: qual será o verdadeiro papel da ciência nesta terceira gestão do Partido dos Trabalhadores?
Antes de tudo, é imperativo parabenizar a professora Fátima Bezerra pela condução magistral deste processo eleitoral. Em um cenário onde muitos duvidavam da viabilidade de sua estratégia política, a Governadora demonstrou notável resiliência. Após ser traída por seu vice-governador, Walter Alves, no início de 2026 — manobra que a impediu de deixar o governo para concorrer ao Senado —, Fátima não recuou. Ao contrário, lançou Samanda Alves (PT) ao Senado e Cadu Xavier — um secretário de extrema competência técnica, ainda que politicamente desconhecido — ao governo estadual. O resultado foi histórico: o vice não logrou êxito, enquanto Cadu e Samanda saíram vitoriosos das urnas.
FAPERN deixou a desejar
Superada a efervescência eleitoral e iniciada a transição, o momento exige lucidez para reconhecer as falhas do passado e audácia para planejar um futuro de transformações, consolidando os acertos da gestão Fátima. Para nós, que fazemos a comunidade científica potiguar, é doloroso constatar que a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Norte (FAPERN) deixou a desejar, limitando-se, quase que exclusivamente, à manutenção da engrenagem burocrática estatal. Contudo, alvorece uma nova fase.
Antes de tudo, é imperativo parabenizar a professora Fátima Bezerra pela condução magistral deste processo eleitoral.
Após dois mandatos consecutivos da esquerda, chegou a hora de o Estado dar um salto definitivo rumo ao avanço científico. Por isso, apelamos para que a equipe de transição do novo governo promova uma reunião estratégica com a comunidade científica do RN, ouvindo entidades como a representação regional da SBPC, para acolher com seriedade nossas propostas, contribuições e reivindicações.
O nosso Estado pulsa talento e se destaca brilhantemente em diversas áreas do conhecimento. Orgulhamo-nos de contar com três instituições públicas de ensino superior de excelência — a UFRN, a UFERSA e a UERN —, compostas por pesquisadores da mais alta qualificação.
Após dois mandatos consecutivos da esquerda, chegou a hora de o Estado dar um salto definitivo rumo ao avanço científico.
Este é o momento decisivo para o Governo do Estado abraçar, apoiar e investir incansavelmente na ciência. Para transformar essa esperança em realidade, propomos:
Autonomia plena para a FAPERN, garantindo que a escolha de seu diretor-presidente nasça de uma consulta democrática e transparente à comunidade científica
A inserção vigorosa da FAPERN no Programa de Bolsas de Produtividade e Projetos Universais Estaduais. Trata-se de uma iniciativa estratégica que une o CNPq, o CONFAP e as FAPs. Com isso, a FAPERN poderá lançar chamadas para apoiar pesquisadores de excelência que, embora aprovados nos rigorosos critérios do CNPq, acabam desamparados pela falta de recursos federais. Essa medida funciona como um escudo contra a evasão de cérebros, assegurando a sobrevivência de laboratórios de pesquisa de ponta nas instituições estaduais e valorizando, com a dignidade que merecem, os jovens talentos do nosso Estado
A adesão ativa da FAPERN ao Programa de Desenvolvimento Científico Regional (DCR), em valiosa parceria com o CNPq, modelo no qual o órgão federal financia as bolsas e a Fundação estadual garante os recursos de fomento. Este programa é vital para a regionalização e interiorização do saber, atraindo e fixando doutores brilhantes, sejam eles de outras regiões com destino ao interior, ou talentos formados e radicados em nosso próprio território.
Um compromisso vibrante com a divulgação científica, conduzida de forma integrada entre jornalistas e a comunidade acadêmica. Sugerimos, ainda, que a FAPERN desenvolva ações marcantes em datas emblemáticas, como o Dia Nacional do Pesquisador e da Pesquisadora (em honra à fundação da SBPC, criada em 8 de julho de 1948) e a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia.

Não há verdadeiro desenvolvimento social desvinculado do progresso científico. Para alcançarmos o futuro grandioso que almejamos, precisamos conjugar a sabedoria da continuidade com a coragem da renovação.
Desejamos, ardentemente, que a ciência seja a força motriz a transformar a nossa compreensão do mundo. Mas, para isso, é imperioso consolidar uma política pública de fomento que seja séria, descentralizada e que, acima de tudo, acredite e aposte na energia disruptiva e transformadora que apenas a nova geração de cientistas é capaz de oferecer.
John Fontenele Araujo é professor titular aposentado da UFRN e professor colaborador da UFDPar.










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