Recaantigamento é um método para recuperar áreas degradadas e conservar a biodiversidade da Caatinga. (Foto: ASA)

COP17 debate combate à desertificação e leva projetos do Nordeste para segurança hídrica e restauração da Caatinga

A COP17, Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação, reúne representantes de 196 países e da União Europeia para discutir soluções para a seca, a degradação da terra, a segurança hídrica e a restauração de ecossistemas.

Realizada em Ulaanbaatar, na Mongólia, entre 17 e 28 de agosto, a conferência também conta com a participação de organizações sociais e representantes do Nordeste brasileiro. A região busca recursos para projetos de segurança hídrica, transição energética e restauração da Caatinga.

Um ponto central das discussões são as metas de Neutralidade da Degradação da Terra (LDN, na sigla em inglês). A previsão é que os países participantes apresentem relatórios sobre como têm agido para garantir que a quantidade e a qualidade dos recursos vindos da terra se mantenham estáveis ou avancem.

Consórcio Nordeste busca recursos para segurança hídrica e Caatinga

Representantes do Consórcio Nordeste, que reúne os nove estados da região, participam da COP17 em busca de recursos para projetos de segurança hídrica, transição energética e restauração da Caatinga.

Ao longo da última semana da conferência, a delegação nordestina participa de eventos e reuniões com organismos financeiros e bancos multilaterais para apresentar projetos e buscar novas fontes de financiamento.

Recaatingamento é a estratégia para enfrentar a degradação

Durante a COP17, o recaatingamento foi apresentado como uma estratégia de restauração ecológica, adaptação climática e desenvolvimento sustentável no semiárido.

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A iniciativa utiliza conhecimentos e a participação das populações locais para recuperar áreas degradadas, conservar a biodiversidade da Caatinga e fortalecer formas sustentáveis de convivência com a seca.

A importância dos conhecimentos locais para a restauração da Caatinga também é apontada por pesquisas recentes.

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Segurança hídrica e transição enérgica

Outra estratégia de integração regional em destaque é o Plano Brasil Nordeste de Transformação Ecológica (PTE-NE), que articula proteção ambiental, competitividade econômica, inclusão social, inovação tecnológica e fortalecimento institucional.

Os projetos do plano que serão apresentados para a captação de financiamentos envolvem a adaptação diante da seca, como cisternas, barragens subterrâneas, reuso e dessalinização descentralizada.

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O Consórcio também espera atrair investimentos para o Fundo Caatinga, tido pelos governantes como um meio de centralização dos recursos regionais e redução do custo de transação que recai sobre cada projeto individualmente.  

Nas agendas bilaterais com o Banco Mundial, o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA-ONU), o Novo Banco de Desenvolvimento (Brics), três linhas orientam os projetos.

  • Segurança hídrica: dessalinização, poços solares, reuso de água e conservação de mananciais;
  • Transição energética: hidrogênio verde e combustíveis renováveis; exemplos já estruturados em Pecém (CE), em Suape (PE) e em Santo Amaro das Brotas (SE).
  • Restauração da Caatinga e bioeconomia: recaatingamento, viveiros de grande porte e fortalecimento das cadeias produtivas da agricultura familiar.

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COP17 discute integração entre clima, biodiversidade e combate à desertificação

As discussões da COP17 reforçam a necessidade de tratar clima, biodiversidade e degradação da terra de forma integrada. As três convenções ambientais das Nações Unidas sobre desertificação, biodiversidade e mudanças climáticas têm origem no processo iniciado na Rio-92.

Para especialistas e organizações sociais, a integração dessas agendas pode ampliar a efetividade das políticas ambientais e contribuir para soluções de desenvolvimento sustentável, adaptação climática e recuperação de áreas degradadas. (Com informações da Agência Brasil).