A experiência de passar dois meses em outro país para desenvolver pesquisa no campo das Neurociências mudou a forma como a britânica Blessing Akintayo enxerga a própria trajetória científica. Natural do Reino Unido e formada em Ciências Naturais com ênfase em Neurociências pela University College London, Blessing esteve no Instituto Santos Dumont (ISD), no Rio Grande do Norte, onde participou de estudos sobre cognição e aprendizagem ligados à pesquisa básica.
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Sob orientação do professor Ramón Hypolito, a pesquisadora colaborou na construção de matrizes de implante móveis no Laboratório de Neuroengenharia. Os dispositivos serão utilizados para registrar atividade elétrica e monitorar o comportamento em experimentos relacionados à memória e ao treinamento cognitivo.
Mais do que a experiência técnica, porém, foi o contato com diferentes áreas do conhecimento que marcou a passagem de Akintayo pelo Instituto.

“Conviver com tantas pessoas diferentes, cada uma com uma maneira própria de abordar o trabalho, a pesquisa e a forma de conduzir os experimentos, foi muito útil”, conta. Segundo ela, apesar de sua formação interdisciplinar, foi no ISD que teve uma oportunidade especialmente rica de reunir diferentes campos científicos em um mesmo ambiente.
A experiência de Akintayo faz parte de uma política do ISD voltada ao compartilhamento de infraestrutura, ao acolhimento de pesquisadores e à ampliação das conexões científicas com instituições do Brasil e de outros países. Anualmente, o Instituto recebe pesquisadores que participam de projetos vinculados, entre outras iniciativas, ao Programa de Pós-Graduação em Neuroengenharia (PPGN).
Novas experiências para quem está começando
Para a estudante Bianca Baroni, uma experiência semelhante teve impacto direto sobre os planos para o futuro profissional.

Aluna da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), Bianca esteve no ISD acompanhada do egresso da mesma instituição Guilherme Tarasinsky. Durante a visita, os dois participaram de uma capacitação no Laboratório de Interface Humano-Máquina e conheceram de perto equipamentos e procedimentos utilizados em pesquisas com seres humanos.
A passagem pelo Instituto permitiu que eles tivessem contato com técnicas como eletroencefalograma (EEG), eletromiografia (EMG) e espectroscopia funcional por infravermelho próximo (fNIRS). Também conheceram sistemas de captura de movimento, como o Qualisys, e a passarela Zeno, utilizada para a medição de parâmetros relacionados à marcha.
A experiência incluiu ainda tecnologias empregadas em pesquisas clínicas e em neurorreabilitação, entre elas a estimulação transcraniana por corrente contínua (tDCS), o exoesqueleto Lokomat e o sistema de suporte dinâmico de peso corporal Zero G. Os visitantes também acompanharam coletas de dados e pesquisas envolvendo órteses.
Para Baroni, o contato com essa estrutura ampliou suas perspectivas justamente em um momento decisivo da formação.
“O principal impacto na minha vida profissional é que abriu novos horizontes e mostrou pra gente que temos muitas perspectivas. Depois dessa experiência, me sinto mais preparada para concluir a faculdade e, após isso, me aprofundar melhor em outras áreas, principalmente na pesquisa”, afirma a pesquisadora.
A visita ocorreu por meio do programa de Laboratórios Nacionais Abertos, iniciativa que permite o compartilhamento da infraestrutura e dos equipamentos do Instituto Internacional de Neurociências Edmond e Lily Safra (IIN-ELS), uma das duas unidades do ISD.
Uma primeira passagem que virou mestrado
A trajetória do boliviano Andres Ocampo mostra como uma experiência no Instituto pode ir além de uma visita ou intercâmbio e se transformar em uma escolha profissional.

Engenheiro biomédico, Ocampo conheceu o ISD pela primeira vez em 2025, quando ainda era estudante de graduação na Universidade Católica Boliviana San Pablo. Na ocasião, participou do desenvolvimento de um sistema destinado à aplicação de estimulação optogenética.
A experiência foi suficiente para despertar o interesse por uma nova etapa de formação. Em 2026, Andres retornou ao Instituto, desta vez como aluno do Mestrado em Neuroengenharia.
“Decidi retornar para o mestrado do ISD porque a experiência que tive foi extremamente positiva e despertou ainda mais meu interesse pela área. O projeto que desenvolvi me motivou muito, especialmente pela oportunidade de trabalhar com equipamentos avançados e metodologias experimentais que são ideais para a linha de pesquisa que pretendo seguir”, afirma.
Durante os dois anos de mestrado, ele será orientado pela professora pesquisadora Carolina Gonzalez. Sua pesquisa envolverá técnicas de processamento de sinais neurais e métodos de machine learning aplicados à investigação dos processos de memória.
Circulação de conhecimento
As experiências de Akintayo, Baroni, Tarasinsky e Ocampo ocorreram por meio de diferentes iniciativas de pesquisa e formação no Instituto Santos Dumont (ISD).
Uma delas é o programa de Laboratórios Nacionais Abertos, que permite a pesquisadores e instituições submeter propostas para utilização da infraestrutura e dos equipamentos do Instituto. O programa recebe projetos relacionados às áreas de Neurociências, Neuroengenharia e Reabilitação, desenvolvidas nos laboratórios do Instituto Internacional de Neurociências Edmond e Lily Safra (IIN-ELS), uma das unidades do ISD.

As informações sobre os requisitos e a submissão de propostas estão disponíveis na página do programa no site do ISD. (Todas as imagens foram enviadas pelo ISD).










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