A excelência acadêmica pauta-se por altos padrões de qualidade, desempenho e integridade no ambiente de pesquisa. Este processo depende do potencial das individualidades integradas em um coletivo com rumos claros e bem definidos. E este processo depende fortemente da infraestrutura construída por muitos gigantes das gerações passadas.
Nomes que saltam aos olhos na história da USP, como o do físico Gleb Wataghin, e também na belíssima história do Departamento de Física em Recife, representado pelo saudoso professor Ivon Palmeira Fittipaldi mostra que estes grandes e consolidados centros de pesquisa nasceram de sonhos e foram conquistados passo a passo, com toda a dificuldade possível e imaginável.

Assim, comparar instituições novas e centenárias requer muita cautela. Nem todo pesquisador está preparado para ser um desbravador como foram nossos ilustres homenageados. É evidente que é mais simples adentrar em uma instituição centenária e consolidada, ou seja, subir sobre os ombros de gigantes e tentar ver mais longe. Ter um shopping center de “facilities”, laboratórios multiusuários multimilionários e acesso a serviços especializados únicos é o sonho de qualquer cientista.
Deslocar o eixo
No entanto, há um trabalho muito mais pesado e necessário que é nuclear estes centros por todos os cantos. Dar a oportunidade para que jovens de São Paulo pudessem fazer o que antes era acessível apenas nos EUA… Deslocar este eixo de São Paulo para Recife… Sair de Recife para outros lugares… Fazer isso e ter a seta da excelência apontando para o seu Norte requer muito, mas muito mais esforço… E quem topa ser pioneiro na expansão precisa estar preparado para trabalhar mais… Mesmo que não sejam linhas a mais no Lattes, este é o preço de oferecer o ombro para que outros subam.
Há, no entanto, uma tentação perigosa no caminho: a desconexão com a realidade. O isolamento tende a redefinir o conceito de excelência, que surge como um antídoto diante da distância abissal entre a produção dos grandes centros e a de quem está em processo de consolidação.
Parceria
É muito mais fácil para um professor nos EUA ou na Europa publicar em uma revista com fator de impacto (FI) superior a 10 do que para um professor no interior do Brasil. Fato! Porém, o professor que está no interior do Brasil é muito mais crítico em relação ao sistema do que aquele que está nos EUA. Se o problema for publicar em uma revista com FI de 10, a solução é simples: parceria.
Só que a publicação é apenas um meio… Ela não é a mais relevante no processo. É preciso entender onde se quer chegar. A universidade brasileira precisa estar focada nos problemas e no potencial do Brasil, de seus sertões e dos sertões dos sertões. Fazer ciência é bem mais do que publicar artigos… É saber conectar os achados e empurrar a fronteira do conhecimento um pouquinho mais adiante. E isso é o que nossos primos ricos também estão tentando fazer. Isso é feito para favorecer as grandes corporações que investem em laboratórios. Se é o povo que investe no teu, este é o teu chefe… E ele não acessa o Lattes. Será que tua pesquisa chega onde o povo precisa?
Ciência cidadã
Ora, longe de ser um discurso demagógico… Sem publicação periódica não há como captar recursos em editais. E sem laboratório… A excelência, neste caso, vem das parcerias… Enquanto a estrutura interna se consolida, boas universidades e bons cientistas estarão sempre de braços abertos para quem quiser trabalhar. E assim começarão a surgir os artigos tão desejados. Como meios de divulgação, nunca como fins. É preciso que dialoguem, conversem e estejam alinhados sobre os grandes problemas nacionais. E, no decorrer de dezenas de anos, surgirão novos centros e formarão cientistas conscientes de seu papel em um país que precisa de ciência em todos os cantos.
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Helinando Oliveira é físico, professor titular da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) e atualmente é vice presidente da Academia Pernambucana de Ciência











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