Compreender relação entre padrões de sono e o desenvolvimento pode subsidiar ações de saúde à primeira infância.

Estudo da UFC relaciona duração do sono ao desenvolvimento infantil em Fortaleza

Um estudo publicado no Jornal de Pediatria aponta uma associação entre a duração do sono noturno e o desenvolvimento na primeira infância. A pesquisa, realizada com crianças de Fortaleza, identificou que períodos mais longos de sono durante a noite estiveram relacionados a melhores resultados em diferentes áreas do desenvolvimento infantil, como cognição, linguagem, habilidades motoras e aspectos socioemocionais.

A pesquisa reúne pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC), da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), da Universidade de São Paulo (USP) e da Harvard T. H. Chan School of Public Health. Entre os autores estão Shamyr Sulyvan Castro, do Departamento de Fisioterapia da UFC, e Márcia Maria Tavares Machado, do Departamento de Saúde Pública da instituição.

O artigo “Effect of sleep duration on child development in Fortaleza, Northeastern Brazil”, tem origem no projeto Iracema-COVID, que acompanha mães e crianças nascidas em Fortaleza durante a pandemia de Covid-19.

O principal achado do artigo é que crianças que dormiam mais horas durante a noite aos 18 meses apresentaram melhores escores de desenvolvimento aos 24 meses nos domínios cognitivo, de linguagem, motor, socioemocional e no resultado geral.

Consolidação de memória

Para Shamyr Sulyvan Castro, do Departamento de Fisioterapia da UFC, e Márcia Maria Tavares Machado, do Departamento de Saúde Pública da UFC, os achados reforçam a importância de investigar o sono como um dos fatores relacionados ao desenvolvimento na primeira infância.

Durante o sono, especialmente na fase REM, o cérebro infantil realiza processos essenciais para a consolidação da memória, reorganização das conexões neurais e aprendizagem. Castro explica que esse período é decisivo para a formação das bases do desenvolvimento. “O sono adequado permite que esses processos biológicos ocorram sem interferências, garantindo a arquitetura cerebral necessária para o aprendizado”, afirma. Segundo ele, crianças com boa qualidade de sono também tendem a participar mais de brincadeiras e interagir melhor com outras pessoas.

Os resultados mostraram uma correlação significativa entre maior duração do sono noturno aos 18 meses e melhores escores em todos os domínios avaliados aos 24 meses. A associação apareceu nas áreas de cognição, linguagem, desenvolvimento motor e socioemocional, além do resultado geral do CREDI. Já o maior tempo acordado durante a noite apresentou associação negativa com os resultados de desenvolvimento.

Sono e cuidado infantil

Para analisar a relação entre sono e desenvolvimento infantil, os pesquisadores utilizaram dados de 278 pares de mães e crianças. As avaliações consideradas nesta etapa ocorreram quando as crianças tinham 18 e 24 meses.

O estudo considerou os domínios cognitivo, de linguagem, motor e socioemocional, além de um resultado geral. Os pesquisadores também levaram em conta características maternas, familiares e das próprias crianças nas análises estatísticas.

Os autores alertam que a privação de sono pode trazer consequências duradouras para a saúde física e mental. Por isso, defendem que o sono seja tratado como parte essencial do cuidado infantil, incorporado às consultas pediátricas e às orientações de saúde. (Com informação da Agência UFC)

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