O software GeoDDS, desenvolvido pela Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), foi registrado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A plataforma utiliza inteligência artificial para analisar dados sociais, demográficos, econômicos e de saúde, identificando municípios mais vulneráveis a Doenças Determinadas Socialmente e os fatores que contribuem para essa condição.

O pesquisador Ciro José Jardim de Figueiredo, professor adjunto II, é o coordenador do projeto. A criação da plataforma partiu de uma proposta apresentada em uma chamada do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Ministério da Saúde.
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Segundo o pesquisador, a iniciativa teve como referência estudos semelhantes na área de segurança pública e foi adaptada para a análise de vulnerabilidades relacionadas à saúde.
“É um software construído para funcionar como uma plataforma na web que reúne informações sobre Doenças Determinadas Socialmente e um conjunto de fatores sociais, demográficos e econômicos”, explica Figueiredo.
Doenças determinadas socialmente
Doenças Determinadas Socialmente (DDS) são doenças ou agravos à saúde cuja ocorrência e distribuição estão fortemente relacionadas às condições sociais, econômicas, ambientais e culturais em que as pessoas vivem.
A ideia central é que a doença não resulta apenas de fatores biológicos ou individuais. Desigualdade de renda, pobreza, condições de moradia, alimentação, saneamento, trabalho, escolaridade, acesso aos serviços de saúde e exposição a determinados ambientes podem aumentar o risco de adoecimento.
A doença pode ter uma causa biológica, mas as condições sociais ajudam a determinar quem fica mais exposto, quem adoece, quem consegue tratamento e quem tem maior chance de morrer ou desenvolver sequelas.
Plataforma reúne dados e utiliza IA
O GeoDDS integra informações sobre doenças, fatores associados e municípios. Para utilizar a plataforma, o usuário realiza um pré-cadastro com login e senha, escolhe a ferramenta de aprendizado de máquina que deseja aplicar e acessa os resultados. O sistema também disponibiliza um dashboard interativo para visualização das informações.

A plataforma atende principalmente gestores e especialistas do Ministério da Saúde e das secretarias estaduais e municipais de Saúde. Para realizar as análises, o sistema utiliza três ferramentas de inteligência artificial: KNN, SVM e análise de cluster.
De acordo com Figueiredo, o uso da IA permite maior autonomia na apresentação dos resultados e reduz o esforço necessário para que o usuário obtenha as informações. “Permite maior autonomia na apresentação dos resultados e exige um menor esforço do decisor/usuário para construção dos resultados, exigindo mais interpretação do mesmo”, afirma.
O desenvolvimento contou majoritariamente com a participação de três bolsistas: um estudante de Ciência da Computação, responsável pelo desenvolvimento da ferramenta; uma estudante de Engenharia de Produção, que trabalhou na coleta de dados; e uma estudante do mestrado em Administração, que atuou no processo de validação. Figueiredo participou como supervisor das atividades.
Para o bolsista Antônio Eduardo de Oliveira Carmo, a experiência permitiu aplicar conhecimentos de inteligência artificial em situações concretas. Ele destaca o desenvolvimento de modelos preditivos e a construção de processos para tratamento dos dados de saneamento e saúde antes de sua utilização pelos modelos. “A atuação como bolsista no projeto GeoDDS foi uma experiência técnica e analítica fundamental para o meu aprendizado na Ufersa”, relata Carmo.
Registro no INPI protege tecnologia desenvolvida
O registro no INPI representa, segundo o coordenador, a formalização e a proteção do trabalho desenvolvido durante o projeto. Para Figueiredo, o certificado de Programa de Computador representa a materialização do esforço realizado ao longo da pesquisa. “Representa a materialização do esforço desenvolvido ao longo do projeto, garantindo que todo o trabalho possa ter o registro junto ao INPI”, destaca.

O pesquisador também considera que a iniciativa reforça o papel da Ufersa na produção de soluções tecnológicas voltadas para demandas da sociedade. “Mostra que a universidade segue no caminho da inovação, contribuindo com potenciais aplicações junto à sociedade”, afirma.
O GeoDDS reúne pesquisa acadêmica, inteligência artificial e dados de saúde em uma plataforma voltada a apoiar a identificação de vulnerabilidades municipais e a produção de informações que podem contribuir para decisões na área de saúde pública. (Todas as imagens foram enviadas pelos entrevistados)










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